Verba de US$ 175 mil, parte de pacote de US$ 3,2 milhões da Nasa, financia estudo de veículo capaz de descer a poço lunar sem uso de GPS
A Nasa vai bancar as primeiras etapas de um projeto que pretende enviar à Lua um drone alimentado por luz laser, capaz de descer dezenas de metros abaixo da superfície para explorar cavernas nunca visitadas por nenhum equipamento humano. O recurso, de até US$ 175 mil (R$ 897 mil), foi concedido à Stone Aerospace, empresa sediada no Texas, dentro do programa Nasa Innovative Advanced Concepts (NIAC), que distribuiu neste mês US$ 3,2 milhões (R$ 16 milhões) entre 18 propostas consideradas de alto risco e alto potencial para a agência espacial americana. A informação foi divulgada originalmente pelo site Gizmodo.
O projeto se chama Lunar Underground eXplorer, ou LUX, e é liderado pela física Gilly Elor, que já atuou como pesquisadora visitante no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley e tem experiência em espeleologia, incluindo expedições ao sistema de cavernas Cheve, em Oaxaca, no México.
Energia que viaja por um fio óptico
A proposta usa uma tecnologia chamada power-over-fiber (energia sobre fibra, em tradução livre): um rover pousado na superfície lunar emite um feixe de laser que percorre um cabo de fibra óptica até o drone, suspenso dentro da caverna. Esse mesmo fio cumpre três funções ao mesmo tempo. Ele transmite dados em alta velocidade mesmo sem linha de visada direta com a superfície, gera energia elétrica a bordo do veículo e ainda contribui para o impulso de um sistema de propulsão a gás frio, que a empresa descreve como não poluente.
Elor afirma que a tecnologia tem aplicações que vão além da Lua. Segundo ela, o sistema poderia viabilizar transmissão contínua de energia óptica a longa distância para veículos móveis em terra, no ar ou debaixo d’água, o que amplia o interesse comercial do projeto para além da exploração espacial.
Um buraco de cem metros perto do local do pouso da Apollo 11
O alvo inicial da missão é a cratera de Mare Tranquillitatis, um poço de cerca de 100 metros de largura localizado a aproximadamente 400 quilômetros do ponto onde a Apollo 11 pousou, em 1969. A existência de uma caverna acessível abaixo desse poço foi confirmada em 2024 por um estudo publicado na revista científica Nature Astronomy, conduzido por pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, com base em dados de radar coletados pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da própria Nasa, ainda em 2010.
A cavidade identificada tem profundidade estimada em cerca de 105 metros, formada, segundo os cientistas, por um antigo tubo de lava que se esvaziou e desabou parcialmente ao longo de milhões de anos.
Cavidades desse tipo despertam interesse científico porque oferecem proteção natural contra radiação cósmica e variação extrema de temperatura, dois dos principais obstáculos para manter uma base humana permanente na superfície lunar.
Escuridão total sem GPS
Elor lista os desafios técnicos da missão. Sem luz solar, a operação demandará bastante energia. Sem sinal de GPS, a navegação em um ambiente tridimensional totalmente desconhecido terá de ser resolvida de outra forma. E o sistema precisa ser não poluente para não interferir nas medições de um ambiente descrito pela pesquisadora como intocado.
O recurso concedido agora cobre apenas a Fase I do programa NIAC, um estudo preliminar de nove meses que não garante financiamento para etapas seguintes nem para uma missão real. Em comunicado, o executivo de pesquisa e tecnologia avançada da Nasa, Greg Stover, disse que iniciativas como essa fazem parte da estratégia da agência de retornar à Lua e avançar rumo a Marte. J
Já Phillip Williams, executivo em exercício do NIAC, afirmou que o programa existe para testar se ideias em estágio inicial têm potencial de crescer a ponto de beneficiar futuras missões espaciais e a economia aeroespacial do país.
Foto: Stone Aerospace, Inc.
Por: Diogo Rodriguez


