Resultado de parceria entre a IBM e a Nasa, o Surya é um aliado essencial na proteção da Terra contra tempestades solares
Nos últimos meses, moradores de certas regiões de países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá ficaram encantados com a possibilidade de ver uma aurora boreal. Por trás dos lindos efeitos visuais, porém, havia uma realidade preocupante: a força das tempestades solares, que podem vir sem aviso, danificando satélites, afetando companhias aéreas e ameaçando a distribuição de energia em todo o mundo.
“São muitos os riscos”, diz Juan Bernabé-Moreno, diretor da IBM Research Europe no Reino Unido e Irlanda. “Em 2022, 60 satélites da Starlink pararam de funcionar por causa de uma tempestade. Todos os anos, companhias aéreas são obrigadas a mudar suas rotas no Polo Norte para evitar riscos de radiação. E sempre há a possibilidade dessas partículas vindas do Sol sobrecarregarem transformadores e provocarem apagões em larga escala.”
Barnabé-Moreno lembra outro efeito preocupante das erupções solares: expor astronautas a ondas massivas de radiação, ameaçando não apenas suas vidas mas a própria continuidade dos programas espaciais. Foi com isso em mente que a IBM e a Nasa se uniram para desenvolver o Surya, um modelo de linguagem inovador, capaz de prever com precisão as datas em que a atividade solar irá ocorrer.
O sistema de IA foi treinado com o vasto acervo do Solar Dynamics Observatory, que há 15 anos registra imagens em alta resolução (4K) da superfície solar. Mas, diferentemente de modelos anteriores, que reduziam as imagens – e a qualidade dos dados –, o Surya preserva cada detalhe.
O equipamento também é capaz de gerar projeções visuais de como será a atividade do Sol nas duas horas seguintes – um feito inédito. O executivo da IBM ressalta que o modelo é aberto e foi moldado de acordo com premissas científicas.
“Não é uma big tech tentando fazer ciência solar”, afirma. “A combinação entre inteligência artificial e ciência não é apenas uma ferramenta de pesquisa: é a construção de uma nova capacidade, que poderá ser usada para proteger a vida na Terra e abrir caminhos para a próxima era da exploração espacial”, diz o cientista.
Uma parceria em três fases
A IBM e a NASA já colaboraram em diferentes modelos de IA voltados para a descoberta científica. Confira abaixo.
1. Prithvi-EO
Data de lançamento: 3 de agosto de 2023
Objetivos: tornar o vasto arquivo de dados de satélites da Nasa mais acessível e acelerar a análise geoespacial. O modelo foi treinado com os dados dos satélites Harmonized Landsat e Sentinel-2.
Aplicações: mapear inundações e incêndios florestais, rastrear desmatamento, ilhas de calor urbanas e movimento de gases de efeito estufa.
2. Prithvi-WxC
Data de lançamento: 23 de setembro de 2024
Objetivos: aprimorar as capacidades de previsão do tempo, fornecendo uma ferramenta flexível e escalável para pesquisadores. O modelo foi treinado com base em 40 anos de dados meteorológicos e climáticos do Merra-2, da Nasa.
Aplicações: previsões meteorológicas localizadas e de alta precisão, detecção e previsão de tempestades, furacões e ondas de calor severas, aprimoramento de modelos climáticos globais.
3. Surya
Data de lançamento: 20 de agosto de 2025
Objetivos: prever o clima solar e antecipar a ocorrência de erupções solares por meio da análise de imagens de alta resolução, captadas pelo Solar Dynamics Observatory.
Aplicações: é uma ferramenta essencial para proteger a tecnologia, tanto na Terra quanto no espaço, dos efeitos da atividade solar. Ao prever tempestades e ventos solares, pode assegurar a integridade de tecnologias críticas, como GPS, redes elétricas e telecomunicações.
Por: Marisa Adán Gil


