quinta-feira, 23 abril, 2026
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Minecraft forma uma geração de empreendedores: empresas criadas por fãs do game já faturam milhões

Jogadores transformam conhecimento técnico e criatividade adquiridos no jogo em negócios lucrativos, desafiando modelos tradicionais de formação profissional

Quando o americano Colin McDonald, hoje com 25 anos, começou a jogar Minecraft, aos 13, não imaginava que aquela diversão infantil abriria caminho para uma carreira bem-sucedida na tecnologia.

Sua trajetória profissional começou já no primeiro ano do ensino médio, quando conseguiu um emprego de meio período programando para um servidor de Minecraft. Mai tarde cursou Ciência da Computação na faculdade e logo, junto com dois colegas, criou o próprio servidor de Minecraft.

Hoje, mais de uma década depois, ele lidera a Moonsworth, empresa de desenvolvimento de software que opera um popular modpack do jogo, com mais de 2 milhões de usuários mensais, e ainda emprega cerca de 50 pessoas, muitas delas também fãs de longa data do Minecraft.

“São apenas outras crianças que cresceram e mantiveram a paixão por criar”, disse ele ao Business Insider.

O caso de McDonald não é isolado. O Minecraft, lançado em 2011 e que se tornou o jogo mais vendido da história, com mais de 350 milhões de cópias comercializadas, tem um impacto cultural e educativo tão forte que, além de gerar comunidades e movimentos, fomenta negócios rentáveis criados por outros jovens, incluindo servidores de Minecraft, que permitem jogos multijogador, e canais dedicados no YouTube.

Ainda há entusiastas do game criando empresas que não têm relação com o universo Minecraft, mas que se beneficiam da resolução criativa de problemas, das habilidades técnicas e do zelo empreendedor que desenvolveram jogando.

“O aumento de empreendedores de Minecraft nos diz algo profundo: a nova economia não recompensa credenciais rígidas. Estamos migrando de uma economia baseada em diplomas para uma economia baseada em habilidades e portfólios”, disse Jessica Lindl, autora de “The Career Game Loop: Learn to Earn in the New Economy” (O Ciclo da Carreira: Aprenda a Ganhar na Nova Economia), ao BI. “Para jovens profissionais, isso significa construir, compartilhar e iterar para encontrar oportunidades — assim como no seu jogo de sandbox favorito.”

Da paixão pelo jogo nasce uma carreira

Lauri Lifljandski, de 25 anos, é mais um jovem a explorar esse universo. Ele, assim como McDonald, começou a jogar Minecraft quando era criança e, hoje, credita ao produto a sua paixão pela programação e a sua veia empreendedora. “O Minecraft é basicamente um curso intensivo de resolução de problemas e criatividade”, comentou ele. “Você aprende a se adaptar e a pensar fora da caixa.”

Lifljandski, junto com o amigo Robin Kase, fundou a empresa WiseHosting. Antes disso, os dois tiveram um canal no YouTube sobre o jogo. Na época, Lifljandski, que vive na Espanha, tinha um trabalho fixo e, quando saia de lá, às 17h, passava as sete horas seguintes produzindo vídeos.

No início, ele não pensava que isso era uma possibilidade de carreira. mas, assim que o canal ganhou força, largou o outro trabalho e passou a se dedicar integralmente. E dessa experiência surgiu algo ainda maior.

Ele e Kase, frustrados com o servidor que estavam usando, vislumbraram uma oportunidade. “Não era como se estivéssemos procurando um produto para fazer. Foi mais como se o produto tivesse chegado até nós”, contou Lifljandski.

A dupla, então, contratou duas pessoas para construir um provedor de hospedagem do zero e lançou a WiseHosting em abril de 2023. “Tivemos centenas de clientes no primeiro dia. Em três meses, estávamos lucrativos”, celebrou o jovem, acrescentando que, no final do ano, já haviam faturado mais de US$ 280 mil (aproximadamente R$ 1,5 milhão na cotação atual).

“Você erra muito no Minecraft, mas continua tentando e melhorando”, observou ele. “Essa mentalidade é fundamental ao construir um negócio do zero.”

Mais um que está se dando bem por conta do Minecraft é Amir Davies, de 18 anos e morador da França. Ele ganhou o jogo quando tinha 11 anos e, como outros superfãs, usou tutoriais do YouTube para aprender a linguagem de programação Java e criar plugins personalizados para seu próprio servidor.

Aos 15 anos, para aumentar a comunidade do Discord no servidor, ele organizou concursos com prêmios em dinheiro e pagou YouTubers para promovê-lo. Alguns jogadores se ofereceram para ajudar a moderar seus servidores e, em certo momento, ele se viu gerenciando 15 pessoas.

Hoje, Davies transformou as habilidades que aprendeu no Minecraft em dois negócios de software. Um deles auxilia professores a avaliar alunos e identificar lacunas de aprendizado e, o outro, é um funcionário virtual com tecnologia de IA para automatizar comunicação, vendas e suporte.

Ao BI, ele comentou que, pelo menos por enquanto, não pretende cursar faculdade. “Aos 18 anos, estou aprendendo tudo o que preciso por meio da experiência prática e do autodidatismo. A indústria de tecnologia, especialmente a IA, evolui tão rápido que considero a prática real mais valiosa do que a teoria em sala de aula neste momento”, finalizou.

Por: Renata Turbiani

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