Reality Labs acumula prejuízo de US$ 77 bilhões desde 2020 enquanto grupo redireciona investimentos para dispositivos vestíveis com IA
A Meta iniciou uma nova rodada de cortes em sua divisão de realidade virtual, num movimento que marca o recuo mais explícito até agora da aposta que levou Mark Zuckerberg a rebatizar o antigo Facebook como Meta. Segundo o Wall Street Journal, a empresa demitiu cerca de 1.500 funcionários da Reality Labs, área responsável por seus produtos de realidade virtual e aumentada.
Os cortes atingem aproximadamente 10% da equipe da divisão. Três estúdios de games em realidade virtual foram fechados, embora o Horizon Worlds, principal plataforma social em VR da empresa, continue operando, ainda que de forma reduzida, segundo o site IGN.
Em resposta ao jornal, um porta-voz da Meta afirmou que a empresa está redirecionando parte dos investimentos antes destinados ao metaverso para dispositivos vestíveis com inteligência artificial, como os óculos inteligentes desenvolvidos pelo grupo.
Reality Labs virou um centro permanente de prejuízos
Desde sua criação, em 2020, a Reality Labs acumulou perdas superiores a US$ 77 bilhões, de acordo com reportagens anteriores do Wall Street Journal. A divisão nunca conseguiu transformar a realidade virtual em um negócio rentável, apesar dos investimentos contínuos e da centralidade do metaverso na estratégia corporativa anunciada em 2021.
Analistas do setor descrevem a decisão de reduzir drasticamente a operação como acertada, ainda que tardia. O próprio Zuckerberg já vinha minimizando a importância do metaverso em teleconferências de resultados desde 2023, à medida que o projeto perdia tração interna e externa.
As demissões ocorrem em um momento particularmente difícil para profissionais de tecnologia. O mercado de trabalho no setor enfrenta um dos piores ciclos desde o início dos anos 2000, o que torna a recolocação desses trabalhadores ainda mais desafiadora.
A nova aposta são wearables com inteligência artificial
Com o recuo na realidade virtual, a Meta passa a concentrar esforços em dispositivos vestíveis baseados em IA, especialmente óculos inteligentes. Ainda assim, essa nova frente também enfrenta obstáculos. Na semana passada, a empresa precisou suspender envios internacionais dos óculos por problemas de estoque, enquanto analistas alertam para riscos regulatórios e saturação do mercado.
Apesar disso, executivos da companhia discutem ampliar a produção dos dispositivos. Segundo a Bloomberg, a Meta avalia dobrar a fabricação inicial de 10 milhões para 20 milhões de unidades, com projeções que podem chegar a 30 milhões até o fim de 2026, caso a demanda se confirme.
Por: Redação Época NEGÓCIOS


