Só na área das telecomunições, levantamento do Sintell aponta que 180 trabalhadores foram mandados embora de empresas de call center, a maioria devido às incertezas vividas pelo setor.
Mesmo antes do possível fim da desoneração da folha de pagamento, medida que garante descontos tributários vantajosos a empresas de 17 setores, o mercado já contabiliza demissões. Só na área das telecomunições, levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Mato Grosso do Sul (Sintell) aponta que 180 trabalhadores foram mandados embora de empresas de call center, a maioria devido às incertezas vividas pelo setor, que pode voltar a ter altos custos com impostos, a partir de janeiro.
Atualmente, a desoneração permite que empresas substituam a contribuição previdenciária – de 20% sobre os salários dos empregados – por uma alíquota sobre a receita bruta, que varia de 1% a 4,5%. Parado na Câmara dos Deputados, projeto de lei pretende estender o benefício de dezembro deste ano para dezembro de 2026, mas, para isso, precisa ser votado nos próximos dois meses.
Caso o texto não seja aprovado nos próximos dois meses, os custos para o empresário de setores como das indústrias têxtil, de calçados, construção civil, comunicação e transporte rodoviário, vão voltar a crescer.
“A não manutenção dessa legislação pode prejudicar muito a classe trabalhadora no sentido de que o empresário vai ter que compensar o aumento, diminuindo a mão de obra, ou seja, demitindo. Já estamos vivendo um período de grandes demissões e isso pode aumentar ainda mais o déficit de empregos no país”, calcula o economista Fernando Abrão.
É o que reforça o presidente do Sintell, Jefferson Borges Silveira. “Essa lei interessa muito ao setor empresarial, porque faz a folha reduzir e, de certa forma, garante um incentivo à empresa e serve como um forma de gerar emprego e garantir melhorias aos trabalhadores. Pelo perfil que a gente tem criado e pelas análises, vamos ter um peso muito grande”, prevê.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Criada em 2011, a lei de desoneração deveria ter chegado ao fim em dezembro de 2020, foi prorrogada para dezembro deste ano e pode ser estendido até 2026. O novo projeto já foi aprovado pela Comissão de Finanças da Câmara, mas ainda não foi à votação em plenário.
Além das demissões, no setor da construção civil também são esperados aumentos no preço do produto final.
“Os custos da obra aumentariam com o fim da desoneração. Os impostos mais altos tirariam a vantagem do empregador investir na empresa e todo o custo que vem, a empresa precisa repassar de alguma forma, ou seja, o m² quadrado da construção pode ficar mais caro”, destaca José Abelha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande (Sintracom).


