Instabilidade econômica afetará o setor de tecnologia no curto prazo, diz executivo do Google

Colapso tecnológico mais amplo é visível no índice composto Nasdaq, que inclui muitas empresas do setor, e já caiu quase 30% até agora

0
85

Com os crescentes temores de uma recessão global, fatores macroeconômicos “afetarão o setor de tecnologia”, disse o executivo-chefe do Google, Sundar Pichai, em entrevista coletiva para a imprensa asiática na terça-feira. Ele também disse que a empresa vai acelerar a resposta a regulamentações mais rígidas que estão sendo implementadas em todo o mundo para proteger os usuários da Internet, sinalizando que os gigantes da tecnologia estão em um ponto de virada.

O Google e outros grandes players de tecnologia nos Estados Unidos continuaram a crescer, em parte graças à pandemia de covid-19. No entanto, as interrupções na cadeia de suprimentos lançaram uma sombra sobre seus negócios e os preços das ações caíram acentuadamente desde o início do ano.

As ações da Alphabet, controladora do Google, caíram mais de 20% desde o começo de 2022. O colapso tecnológico mais amplo é visível no índice composto Nasdaq, que inclui muitas empresas de tecnologia. Caiu quase 30% até agora neste ano.

Pichai também apontou a invasão da Ucrânia pela Rússia e o aperto monetário por bancos centrais em todo o mundo como preocupações. “As economias tendem a ter ciclos, e o setor de tecnologia tende a ter ciclos mais voláteis”, disse ele para a Agência Nikkei, observando que o setor deve ser afetado um pouco pela instabilidade política e econômica. À medida que as condições dos negócios pioram, a Netflix anunciou demissões e a Meta, controladora do Facebook, revelou planos para reduzir o investimento.

Mesmo com a crise econômica, os reguladores de todo o mundo estão intensificando o escrutínio dos gigantes da tecnologia, com a “Lei de Mercados Digitais” da União Europeia como um exemplo. À medida que a internet amadureceu, disse Pichai, “todos os países estão pensando sobre quais são as regulamentações digitais corretas e querem proteger seus cidadãos e garantir que suas normas sejam aplicadas”.

O Google está considerando mudar alguns produtos para cumprir os novos regulamentos, como os de lojas de aplicativos para smartphones, disse ele. Por outro lado, a empresa se opõe a uma proposta de lei dos Estados Unidos, a “Lei de Concorrência e Transparência na Publicidade Digital”, que forçaria grandes empresas de publicidade on-line a alienar ativos.

Outra preocupação é a fragmentação acelerada da internet, com a China encerrando muitos serviços originários dos Estados Unidos e a Rússia fazendo movimentos semelhantes após a invasão da Ucrânia. O Google e outros criaram serviços com um bilhão de usuários em todo o mundo nos últimos 20 anos com base na promessa de “uma rede”.

“Os países precisam pensar sobre qual é a melhor maneira de proteger a soberania de seus cidadãos”, disse Pichai. “Acho igualmente importante que os países se beneficiem muito de estarem conectados a essa economia global” por meio da internet.

Por:  Valor Investe