quinta-feira, 23 abril, 2026
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Inovação e gestão de ativos Intangíveis

Discussão sobre gestão de ativos intangíveis lança luz sobre o quanto os projetos de inovação e tecnologia ainda carecem de solidez analítica

O debate atual sobre as práticas de inovação costuma concentrar-se nos processos criativos, na gestão de portfólios de projetos em ambientes corporativos, nas técnicas de foresight estratégico e, por vezes, nos movimentos de investimento corporativo em startups e no fomento ao P&D (pesquisa e desenvolvimento). Todavia, há um espaço essencial — e ainda subvalorizado — para a avaliação das boas práticas contábeis e da gestão de riscos corporativos como pilares para inovar com solidez.

Ao tratarmos da gestão de ativos intangíveis, o olhar técnico assume natureza contábil, voltado para as análises de balanço. Ou seja, todos os projetos de inovação e tecnologia — desde melhorias de processos até o desenvolvimento de novos produtos, serviços e tecnologias estruturantes — devem ser devidamente registrados sob esta alínea contábil.

Para isso, exige-se um entendimento aprofundado sobre como analisar economicamente tais projetos, levando em conta o custo de capital vigente e os indicadores de resultado financeiro. Cada iniciativa de inovação possui características próprias, que demandam análises individualizadas e métricas específicas de sucesso. Ainda assim, o padrão contábil permanece único e rigoroso, impondo critérios firmes na análise dos investimentos realizados e dos benefícios esperados.

Nesse contexto, a diligência no acompanhamento dos projetos torna-se decisiva para avaliar seu sucesso ou fracasso dentro do ambiente corporativo. Caso o desempenho, ao fim de um exercício fiscal, seja positivo, a continuidade se justifica. Do contrário, cresce a necessidade de uma análise minuciosa por parte das equipes de risco corporativo e financeiro.

Em outras palavras, todos os projetos de inovação — independentemente de sua natureza — devem apresentar resultados tangíveis. O capital do acionista não tolera promessas vazias. Essa mesma lógica também se aplica a projetos de fomento público, onde se exige contrapartida, transparência na prestação de contas e evidências concretas do impacto gerado.

Essa discussão sobre gestão de ativos intangíveis lança luz sobre o quanto os projetos de inovação e tecnologia ainda carecem de solidez analítica, tanto na modelagem quanto na construção de narrativas capazes de dialogar com a alta liderança organizacional.

Em muitos ambientes corporativos, ainda há um desalinhamento entre as equipes de inovação e tecnologia e os gestores responsáveis pelas decisões estratégicas. É comum observar promessas ambiciosas de transformação sem a devida comprovação dos benefícios gerados.

Cabe, portanto, às equipes técnicas ampliar sua capacitação em gestão de projetos e finanças. Da mesma forma, aos executivos C-Level, seria altamente desejável somar seus conhecimentos em contabilidade e finanças com uma compreensão mais apurada do universo da inovação — sem negligenciar, claro, a responsabilidade fiduciária de suas agendas.

Reconhecer que inovação e tecnologia são temas de gestão como quaisquer outros é essencial. Isso pressupõe alinhamento de expectativas, métricas claras de desempenho e avaliação compartilhada entre todos os envolvidos, além de seu correto lançamento nos balanços patrimoniais — com responsabilização pelos investimentos realizados.

Por: Hugo Tadeu

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