quinta-feira, 23 abril, 2026
HomeTECNOLOGIAINTELIGÊNCIA ARTIFICIALIA vai salvar o clima ou turbinar a crise? Debate esquenta na...

IA vai salvar o clima ou turbinar a crise? Debate esquenta na COP30 em Belém

Na COP30, órgãos apresentam iniciativa de “IA do bem” contra crise climática; defensores do meio ambiente discordam

Em meio à COP30, em Belém (PA), defensores da inteligência artificial (IA) estão argumentando que a tecnologia pode ajudar a reduzir a resolver a crise do clima. Mesmo que ela seja associada a um grande uso de eletricidade. E, consequentemente, emissões de gases que contribuem para o aquecimento global.

Na semana passada, grupos, órgãos da ONU e o governo brasileiro apresentaram o Instituto de IA para o Clima. A iniciativa global visa promover a IA como “ferramenta de empoderamento” em países em desenvolvimento para combater problemas ambientais.

A ideia é educar os países sobre como usar a IA para reduzir as emissões. Por exemplo, otimizar o transporte público, organizar os sistemas agrícolas, recalibrar a rede elétrica para implantar energias renováveis e mapear desastres climáticos.

“Pouquíssimos lugares no mundo realmente executam modelos numéricos de previsão do tempo, porque esses modelos exigem muito poder computacional”, disse Maria João Sousa, diretora executiva da Climate Change AI, um dos grupos responsáveis pela iniciativa, ao The Guardian.

Segundo Lorenzo Saa, diretor de sustentabilidade da Clarity AI, a IA pode monitorar emissões e biodiversidade, embora admita que existam preocupações legítimas sobre seu impacto.

“Você consegue realmente começar a analisar onde está o problema. Então você pode fazer previsões, e essas previsões são tanto de curto quanto de longo prazo”, acrescentou ele. “Agora você pode prever enchentes na próxima semana, mas também consegue calcular a elevação do nível do mar e coisas do tipo.”

O que dizem especialistas e ativistas sobre a IA contra a crise do clima?

Por outro lado, alguns especialistas e defensores do meio ambiente acreditam que a IA está impulsionando um boom de centros de dados. Eles consomem uma quantidade enorme de eletricidade e água, inclusive em locais propensos à seca, elevando até as contas de luz.

Um novo estudo da Universidade Cornell descobriu que, até 2030, a taxa atual de crescimento da IA ​​nos EUA adicionará até 44 milhões de toneladas de dióxido de carbono à atmosfera. O número equivale a todas as emissões anuais da Noruega, por exemplo.

Um relatório recente da Wood Mackenzie estimou ainda que a IA poderia ajudar a desbloquear um trilhão de barris adicionais de petróleo, o que impediria a contenção do colapso climático. Além disso, um relatório global já revelou que a crise climática está avançando mais rápido que as ações de mitigação.

Segundo Natascha Hospedales, advogada da Client Earth, a “IA para o bem” ainda se trata de um nicho pequeno em uma indústria focada em maximizar lucros.

“Há alguma verdade no fato de que a IA pode ajudar os países em desenvolvimento, mas muito disso ainda está em fase inicial e parte é hipotético”, declarou ao jornal. “Uma pequena porcentagem da IA ​​é usada para o bem, e 99% dela serve apenas para empresas como Google e Meta encherem os bolsos, prejudicando o meio ambiente e os direitos humanos.”

Por: Isabela Oliveira

RECOMENDADOS

MAIS POPULAR