terça-feira, 30 junho, 2026
HomeRECOMENDADOSOCIEDADEGreve contra IA? Máquinas humanoides podem levar funcionários da Hyundai à primeira...

Greve contra IA? Máquinas humanoides podem levar funcionários da Hyundai à primeira disputa trabalhista contra robôs na história

Sindicato que representa cerca de 40 mil trabalhadores quer garantias de que adoção de máquinas da Boston Dynamics não resultará em demissões ou piora das condições de trabalho

Durante décadas, os robôs transformaram as fábricas de automóveis, assumindo tarefas repetitivas como soldar carrocerias, pintar componentes e movimentar peças nas linhas de produção. Agora, a chegada de robôs humanoides equipados com inteligência artificial abre uma nova frente de tensão trabalhista.

Na Coreia do Sul, o sindicato da Hyundai Motor admite avançar para uma greve com um objetivo incomum: obter garantias sobre o futuro dos trabalhadores antes da entrada dos robôs Atlas nas linhas de produção.

Segundo o “Motor1”, trata-se de um dos primeiros casos de grande escala na indústria automotiva em que o uso de robôs humanoides com inteligência artificial se torna ponto central das negociações entre empresa e trabalhadores.

Mais de 86% dos membros do sindicato, que representa cerca de 40 mil funcionários, votaram a favor da greve. O processo de mediação terminou sem acordo, abrindo caminho para que os trabalhadores possam avançar legalmente com a paralisação.

Neste ano, as negociações não se limitam a temas tradicionais, como aumentos salariais ou bônus de produção. O sindicato quer um compromisso formal da Hyundai de que a introdução da inteligência artificial e de robôs humanoides não resultará em demissões nem em degradação das condições de trabalho.

O Hyundai Motor Group, que controla as marcas Hyundai, Kia e Genesis, anunciou nos últimos meses que os robôs humanoides Atlas, desenvolvidos pela empresa americana Boston Dynamics, deverão começar a operar a partir de 2028 na nova fábrica do grupo na Geórgia, nos Estados Unidos. Depois disso, a tecnologia poderá ser gradualmente ampliada para outras unidades de produção.

A reivindicação surge em um momento sensível para a Hyundai. Apesar do aumento das receitas nos primeiros meses do ano, o lucro operacional caiu de forma acentuada, pressionado pelas tarifas americanas e pela concorrência crescente dos fabricantes chineses, sobretudo no mercado de veículos elétricos.

Ao mesmo tempo, o sindicato reivindica um bônus equivalente a 30% do lucro líquido do ano passado, em valor superior a 1,7 bilhão de euros, segundo o “Motor1”.

O impasse pode criar um precedente importante para todo o setor automotivo. Até agora, os robôs eram vistos sobretudo como ferramentas de automação industrial, integradas a tarefas específicas e normalmente afastadas do debate público sobre a substituição direta de trabalhadores.

Foto: Reprodução/Hyundai

Por: Agência O Globo

RECOMENDADOS

MAIS POPULAR