sábado, 25 abril, 2026
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Fiocruz mapeia venda de alimentos saudáveis em escolas do país

Uma pesquisa desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) avalia se as escolas privadas do país promovem a alimentação saudável nas cantinas. Resultados preliminares sugerem que, em municípios com uma legislação específica sobre o assunto, a venda de produtos como frutas frescas e suco natural tende a ser maior, enquanto cai a comercialização de chocolates, refrigerantes e salgadinhos.

Com a participação de várias instituições públicas, como a Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o estudo “Comercialização de Alimentos e Bebidas em Cidades Brasileiras” (Caeb) teve início em maio e passou a visitar cantinas em junho deste ano.

Até o momento, finalizou coletas em Porto Alegre (RS) e Niterói (RJ) e tem resultados preliminares de Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro. O trabalho vai se estender por todas as capitais do país, com equipes já treinadas para o início em Brasília (DF), Salvador (BA), Aracaju (SE) e Recife (PE).

Letícia Cardoso, integrante da equipe de coordenação do projeto e pesquisadora da Fiocruz, explica que o estudo avalia os alimentos oferecidos para os alunos, o tipo de propaganda e as estratégias de marketing voltadas para o público infanto-juvenil, e o quão acessível financeiramente os produtos são para os estudantes.

Segundo Letícia, Niterói foi incluída na pesquisa, mesmo não sendo uma capital, pois debate a legislação da merenda. Na cidade, foram visitadas 53 cantinas, sendo que 92,5% delas apontam que têm a preferência dos alunos como critério para escolha dos itens a serem vendidos. Já 84,9% apontam também a legislação e 73,6%, a recomendação das escolas.

Entre os estabelecimentos visitados em Niterói, chocolates são vendidos em 56,6% deles, refrigerantes em 50,9% e salgadinhos em 66%, enquanto frutas frescas são comercializadas em 18,9% e suco natural em 43,4%.

Na cidade do Rio de Janeiro, o resultado da visita a 138 escolas aponta a venda de salgadinhos em 71,1%, de chocolates em 72,5% e de refrigerantes em 84,7%. Já frutas estão no cardápio de 9,2% e suco natural, de 32,1%.

No caso de Porto Alegre, onde a pesquisadora aponta uma legislação definida sobre o tema, 85% das escolas comercializam frutas e 80%, sucos naturais. Já salgadinhos são encontrados em apenas 5% dos estabelecimentos, chocolates em 25% e refrigerantes em 6,7%.

Na capital gaúcha, 83,3% das cantinas apontam que se baseiam na lei para definição dos itens comercializados, 76,7% em orientações de nutricionistas e 71,7% em recomendações das escolas.

Em Belo Horizonte, onde a coleta de entrevistas ainda continua, o resultado preliminar também tem maior proporção de frutas e suco natural (em 56,8% das escolas) e menor de industrializados – 6,8% de salgadinhos, 13,6% de chocolates e 9,1% de refrigerantes.

Saiba como identificar alimentos ultraprocessados

  • 1 de 6Comida congelada e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos o mínimo possível, segundo nutricionistasCrédito: Noel Hendrickson/Getty Images
  • 2 de 6Macarrão instantâneo faz parte da lista de alimentos ultraprocessadosCrédito: Miles Burke/Unsplash
  • 3 de 6Embutidos como salsichas e outros produtos derivados de carne e gordura animal também são ultraprocessadosCrédito: Aliet kitchen/Unsplash
  • 4 de 6Considerados ultraprocessados, refrigerantes podem ser substituídos por sucos naturaisCrédito: K8/Unsplash
  • 5 de 6Diversos tipos de biscoitos recheados também são ultraprocessadosCrédito: Peter Dazeley/Getty Images
  • 6 de 6Técnicas de processamento utilizadas na fabricação de ultraprocessados incluem tecnologias exclusivamente industriais, como uso da farinha de milho para fazer salgadinhos de pacoteCrédito:

Letícia Cardoso aponta que a pesquisa também mostra que as cantinas, em sua maioria, têm pequeno porte e são administradas por negócios familiares, em escolas de 200 a 500 alunos.

Com os resultados, o estudo pretende direcionar políticas públicas. “Nossa intenção é movimentar a discussão dentro do nível municipal, que tem muita força para mudanças. O segundo ponto é que a gente também está desenvolvendo um material de formação para os cantineiros, pois existe a ideia que uma cantina não se sustenta com a venda de alimentos saudáveis”, colocou.

O levantamento também mostra que há iniciativas interessantes de promoção de alimentação saudável sendo desenvolvidas nas escolas, como aulas de culinária, hortas e piqueniques.

A pesquisadora da Fiocruz destaca que a pesquisa não quer adotar um tom punitivo, mas propositivo, no intuito de evitar a obesidade infantil e os riscos relacionados a ela, como problemas físicos e psicológicos.

“Temos que deixar esses alimentos ultraprocessados com muito açúcar para situações que não são a rotina da criança, como é a escola. Eles são destinados a situações festivas, de comemoração”, defende.

Por: Pauline Almeida da CNN

Redação
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