Organização afirma que corrida por data centers de inteligência artificial pode triplicar resíduos eletrônicos até 2050.
A expansão da infraestrutura necessária para sustentar a IA pode triplicar o volume anual de lixo eletrônico tóxico nos próximos 25 anos. É o que diz um relatório da Basel Action Network (BAN), organização ambiental que acompanha o descarte e a movimentação internacional de resíduos eletrônicos.
Segundo a entidade, o acúmulo nesse período seria suficiente para preencher seis fileiras de contêineres ao redor da Terra. O material pode conter substâncias como mercúrio, cádmio, chumbo e compostos químicos persistentes, além de metais que exigem processos específicos para serem recuperados.
Servidores aumentam volume de resíduos
O levantamento projeta a quantidade de materiais que precisarão ser fabricados como parte da expansão de data centers nos próximos anos. Nos Estados Unidos, serão ao menos 4.871, segundo a organização, sendo muitos deles voltados a IA.
Para calcular o impacto, a organização considerou uma estimativa de aproximadamente 100 gigawatts (GW) de nova capacidade computacional no mundo até 2030. A conta inclui servidores, sistemas de refrigeração, infraestrutura elétrica, cabeamento e outros componentes importantes para os centros de processamento. Entre eles:
- Racks de servidores: um rack de alta densidade usado em compuação de IA pode pesar cerca de 1.360 kg.
- Switches e cabeamento: equipamentos de rede chegam a 30 kg cada, equanto cada rack pode concentrar centenas de quilos de cabos de cobre.
- Troca de equipamentos: componentes podem ser substituídos a cada dois a cinco anos, seja pelo desgaste térmico, seja pela defasagem de desempenho.
- Outros eletrônicos: a evolução dos requisitos para IA também pode acelerar a substituição de computadores, celulares e outros equipamentos de telecomunicações.
A partir desses fatores, a BAN estima que o descarte de hardware possa chegar a 13 milhões de toneladas por ano até 2030. O número é superior ao de estimativas apresentadas anteriormente por outros estudos sobre o lixo eletrônico do setor.
Falta de destinação adequada
Apesar da preocupação para o futuro, o descarte de equipamentos eletrônicos já cresce rapidamente e é um problema no momento. Jim Puckett, cofundador da BAN, afirmou ao jornal The Guardian que apenas cerca de 20% desse material recebe uma destinação adequada.
A entidade atua internacionalmente contra o envio ilegal de resíduos tóxicos para países em desenvolvimento, onde parte desses equipamentos pode ser desmontada ou processada sem as mesmas condições de controle ambiental.
O Brasil, por exemplo, produz mais de 2,4 milhões de toneladas desse material anualmente, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos. O valor deve aumentar com a expansão dos centros de dados no país, impulsionada pela aprovação do Redata, sancionado nessa quarta-feira (16/09).
Para a BAN, a velocidade da expansão da IA não está sendo acompanhada por uma estrutura equivalente para lidar com os equipamentos. A entidade alerta que, sem mudanças na forma como esses materiais são projetados, reutilizados e reciclados, a expansão da IA poderá transformar uma parcela crescente da infraestrutura tecnológica em resíduos tóxicos.
Por: Felipe Faustino


