quarta-feira, 02 setembro, 2026
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Exame com IA prevê risco cardíaco com 15 anos de antecedência

Exame de sangue inovador avalia probabilidade de seis condições cardiovasculares com base em proteínas e metabólitos. Ferramenta visa prevenção proativa e modificações no estilo de vida.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina LKS da Universidade de Hong Kong desenvolveram um exame de sangue baseado em inteligência artificial capaz de identificar risco elevado de doenças cardíacas graves com até 15 anos de antecedência.

A ferramenta, chamada CardiOmicScore, analisa informações de uma única coleta de sangue para estimar a probabilidade de seis condições cardíacas e circulatórias. Os resultados foram publicados na revista Nature Communications.

O sistema se diferencia dos testes genéticos tradicionais por capturar mudanças biológicas associadas ao estado de saúde atual do paciente, ao estilo de vida e ao ambiente, em vez de medir apenas características herdadas e fixas.

Como o sistema funciona

Para construir a ferramenta, a equipe da HKUMed aplicou aprendizado profundo (deep learning) para integrar múltiplas camadas de informações biológicas, numa abordagem chamada multiômica. O modelo processou dados populacionais em larga escala do UK Biobank e examinou 2.920 proteínas circulantes e 168 metabólitos presentes em amostras de sangue.

Proteínas executam funções essenciais no organismo. Metabólitos são pequenas moléculas produzidas enquanto o corpo processa alimentos, gera energia e responde a doenças. Juntas, essas moléculas fornecem um retrato detalhado do estado biológico atual do paciente e podem refletir alterações sutis na atividade imunológica, no metabolismo e na saúde vascular antes de qualquer sintoma aparecer.

Ao ScienceDaily, o Professor Zhang Qingpeng, professor associado do Departamento de Farmacologia e Farmácia da HKUMed, afirmou que “os genes determinam onde começamos. Eles definem nosso risco de saúde inicial. No entanto, proteínas e metabólitos refletem nossa saúde física atual. Nossa ferramenta de IA foi projetada para decodificar esses sinais moleculares complexos, permitindo que médicos e pacientes identifiquem riscos muito mais cedo, o que pode potencialmente mudar a trajetória da doença por meio de modificações no estilo de vida e prevenção precoce”.

Seis doenças cardíacas avaliadas

O CardiOmicScore avalia o risco individual para seis condições cardiovasculares: doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doença arterial periférica e tromboembolismo venoso.

A fibrilação atrial é uma arritmia cardíaca que eleva o risco de AVC e outras complicações. A doença arterial periférica ocorre quando vasos sanguíneos estreitados reduzem a circulação nos membros. O tromboembolismo venoso envolve coágulos perigosos que se formam em uma veia e podem migrar para os pulmões.

Nos testes, o sistema apresentou desempenho superior ao dos escores de risco poligênico convencionais. A precisão aumentou ainda mais quando os pesquisadores incorporaram ao modelo dados clínicos como idade e sexo. Em indivíduos com risco elevado, o CardiOmicScore detectou sinais de alerta até 15 anos antes do início clínico das doenças.

Da prevenção ao tratamento

A pesquisa integra uma tendência mais ampla da medicina de precisão, que busca antecipar doenças antes de tratá-las. Ferramentas multiômicas podem oferecer uma avaliação mais dinâmica do risco ao rastrear sinais biológicos que se modificam ao longo do tempo, diferentemente das abordagens genéticas tradicionais, cujas estimativas permanecem relativamente fixas.

No futuro, uma pequena amostra de sangue poderia gerar um perfil de risco abrangendo diversas doenças cardíacas simultaneamente, permitindo que pacientes e médicos respondam com mais antecedência por meio de mudanças no estilo de vida, monitoramento mais próximo ou outras medidas preventivas.

O Professor Zhang Qingpeng acrescentou que o objetivo da equipe é “aproveitar a tecnologia para identificar e prevenir doenças antes que elas se desenvolvam. Ao deslocar o gerenciamento de saúde do tratamento reativo para a predição proativa e a intervenção, buscamos criar um impacto duradouro tanto para a saúde pública quanto para o cuidado individual do paciente.”

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, com cerca de 19,8 milhões de óbitos registrados somente em 2022, conforme dados citados no estudo. 

Fonte: Giz_br

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