quinta-feira, 23 abril, 2026
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Evidências em Marte mostram que rio antigo era provavelmente maior e mais rápido do que se pensava

Rover coletou os dados subterrâneos enquanto percorria o fundo da Cratera Jezero. Seu instrumento, o Radar Imager for Mars Subsurface Experiment (Rimfax), funciona enviando ondas de rádio ao solo e interpretando os ecos que retornam

O rover Perseverance, veículo explorador da Nasa, descobriu sinais de um rio antigo abaixo da superfície de Marte, usando um radar de penetração no solo que revelou camadas soterradas de sedimento deixadas por água em movimento.

Segundo o site Marshable, não era um rio tranquilo: provavelmente era um canal maior e com correnteza mais forte do que muitos cientistas haviam previsto, talvez comparável a rios de médio porte na Terra.

O rover coletou os dados subterrâneos enquanto percorria o fundo da Cratera Jezero. Seu instrumento, o Radar Imager for Mars Subsurface Experiment (Rimfax), funciona enviando ondas de rádio ao solo e interpretando os ecos que retornam. Materiais como areia, rocha ou gelo refletem os sinais de maneiras distintas. Ao estudar esses padrões, os pesquisadores conseguem mapear paisagens antigas ocultas.

Antes de a Nasa enviar o rover Perseverance à Cratera Jezero, geólogos já acreditavam que a bacia havia abrigado um corpo d’água no passado. Imagens de satélite mostravam paisagens típicas de delta na superfície, com depósitos em forma de leque onde um rio poderia ter desaguado em um lago.

As descobertas do Perseverance sugerem que o rio marciano, que existiu entre 3,7 e 4,2 bilhões de anos atrás, fazia parte de um sistema maior do que os satélites espaciais conseguiam enxergar. Suas correntes podem ter sido capazes de carregar areia e pequenas pedras rio abaixo.

Ao longo de 78 travessias, o laboratório do tamanho de um carro e com seis rodas coletou dados de mais de 35 metros abaixo da superfície, quase o dobro da profundidade que o rover havia atingido anteriormente.

Os novos dados, publicados na revista científica Science Advances neste mês, também indicam que o rio provavelmente foi estável por um longo período de tempo, não apenas uma enchente repentina com fluxos de lama. Isso é relevante, segundo o site Marshable, porque reforça a ideia de que Marte já teve condições mais favoráveis para abrigar vida simples.

Marte hoje é frio e seco, com uma atmosfera que faz a água evaporar ou congelar rapidamente. Mas bilhões de anos atrás, o planeta provavelmente tinha uma atmosfera mais densa e um clima mais quente. Rios e lagos podem ter durado tempo suficiente para esculpir vales, transportar sedimentos e remodelar regiões inteiras.

As imagens de radar mostram camadas inclinadas e íngremes que normalmente se formam quando a água transporta sedimentos e os deposita em estratos. Com o tempo, esses estratos se acumulam em formas reconhecíveis. Em Marte, eles agora estão soterrados sob poeira e detritos vulcânicos.

Os pesquisadores afirmam que o novo trabalho do Perseverance pode ter implicações para os locais onde os cientistas buscarão biossignaturas no futuro. Sedimentos formados em água são alvos prioritários porque podem capturar e preservar pistas químicas sobre o passado.

Foto: NASA/JPL-Caltech/FFI

Por: Thâmara Kaoru

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