quinta-feira, 23 abril, 2026
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Dojo sobe no telhado: Musk cancela supercomputador de IA que levaria Tesla ao carro autônomo

CEO da companhia de veículos elétricos encerrou o projeto, o líder da equipe saiu, 20 engenheiros migraram para a DensityAI e a Tesla agora depende de Nvidia, AMD e Samsung para avançar em IA, levantando dúvidas sobre a estratégia da companhia

Nos últimos meses, sempre que possível, Elon Musk falava – de forma bastante elogiosa – sobre o Dojo, um supercomputador destinado a ajudar a Tesla a avançar no seu objetivo de construir um carro autônomo. Mas, agora, parece que o projeto subiu no telhado.

A Bloomberg, citando pessoas familiarizadas com o assunto, afirma que Peter Bannon, líder da equipe do Dojo, deixará a empresa e que Musk ordenou o encerramento da iniciativa.

A reportagem acrescenta que recentemente a equipe perdeu cerca de 20 funcionários para a novata DensityAI, e os funcionários restantes estão sendo realocados para outros projetos de data center e computação dentro da Tesla.

Além disso, destaca que as mesmas fontes informaram que a empresa planeja aumentar sua dependência de parceiros de tecnologia externos, incluindo Nvidia e Advanced Micro Devices para computação e Samsung para fabricação de chips.

A suposta ordem de Musk marca uma grande mudança de rota, já que o Dojo foi considerado por ele central no esforço da Tesla para se destacar na corrida da inteligência artificial.

Menos de um mês atrás, no dia 23 de julho, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre da Tesla, o bilionário, segundo o Gizmodo, traçou um panorama brilhante do futuro do Dojo.

Na ocasião, ele chamou a próxima geração do supercomputador de “realmente espetacular”, falou ainda sobre uma nova “fábrica de IA” e apresentou planos para o Dojo 3.

Ao ser questionado sobre se sua startup de IA, a xAI, poderia usar o Dojo, ele respondeu: “Dojo 2. Esperamos que o Dojo 2 esteja operando em escala no próximo ano. Com cerca de 100 kh, 100 equivalentes”, disse Musk.

Ele continuou: “E depois o AI Five, que também é realmente espetacular. Não uso essas palavras levianamente. Esperamos ter a fábrica de IA em produção no final do ano que vem. Mas isso tem muito potencial”.

O bilionário ainda discutiu uma convergência “intuitiva” entre o Dojo 3 e os chips usados nos carros da Tesla e nos robôs Optimus.

“Pensando no Dojo 3 e nos seis chips de IA do primeiro chip, parece intuitivo que queiramos tentar encontrar convergência aí. É basicamente o mesmo chip usado quando você coloca dois deles em um carro ou no Optimus e, talvez, um número maior – em uma contagem de cinco a doze – em uma placa ou algo assim, se quiser comunicação de alta largura de banda entre os chips. Esse parece ser, de forma intuitiva, o caminho a seguir”, avaliou.

Para quem acompanha Musk há muito tempo, a mudança de comportamento não é surpresa. Mas, se o Dojo for realmente descontinuado poucas semanas depois de ser apresentado como uma realidade em um futuro próximo, as consequências podem ser significativas, aponta o Gizmodo,

Os investidores podem questionar se o bilionário os enganou conscientemente ou se um problema repentino e sério o forçou a abandonar a ideia. Isso seria um golpe na sua credibilidade.

Por: Renata Turbiani

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