quinta-feira, 23 abril, 2026
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Como ex-aluna do MIT quer revolucionar o transporte marítimo com barcos híbridos-elétricos

Muitos imaginavam que teríamos carros voadores até 2025. Para Sampriti Bhattacharyya, fundadora da startup Navier, essa visão estará mais próxima da água. Sua empresa está construindo barcos híbridos-elétricos que deslizam sobre a água, embarcações que, segundo ela, podem transformar não apenas o transporte comercial, mas também seu uso militar.

“Por que não temos barcos em larga escala que sejam como o Uber na água?”, disse ela em entrevista ao Business Insider. “Se você consegue transportar coisas na água com o custo, a velocidade e a conveniência da terra e do ar, pode construir grandes redes de transporte.”

O interesse de Bhattacharyya pelo setor marítimo — que ela vê como uma “oportunidade de trilhões de dólares” — surgiu durante seu doutorado no MIT, onde trabalhou com drones subaquáticos.

Ao contrário dos barcos convencionais, as embarcações híbridas-elétricas da Navier, que a empresa constrói de ponta a ponta, possuem asas subaquáticas que elevam o casco para fora da água. Bhattacharyya afirma que a técnica de hidrofólio consome 90% menos energia do que sua contraparte a gasolina tradicional e cria um deslizamento estável mesmo nas condições mais agitadas, eliminando a possibilidade de enjoo nos passageiros. E os barcos híbridos-elétricos de sua empresa são dez vezes mais baratos de operar, acrescentou ela.

"Barco do futuro" desenvolvido pela startup Navier — Foto: Reprodução/Instagram
“Barco do futuro” desenvolvido pela startup Navier — Foto: Reprodução/Instagram

“Construir máquinas para entender o universo”

Nascida e criada na Índia, Bhattacharyya imigrou para os EUA por volta dos 20 anos para um estágio no Fermilab, o laboratório de pesquisa em física de partículas perto de Chicago. Lá, ela descobriu seu interesse em construir “máquinas para entender o universo, principalmente, e, você sabe, os planetas, o universo e tudo mais”.

Bhattacharyya recebeu então uma bolsa de estudos do Departamento de Energia e um mestrado em engenharia aeroespacial pela Universidade Estadual de Ohio. Enquanto concluía seu mestrado, ela estagiou na NASA, onde trabalhou em algoritmos de controle de voo e contribuiu para pesquisas sobre um reator nuclear subcrítico. Esse trabalho lhe garantiu uma vaga no programa de doutorado em engenharia mecânica do MIT, onde Bhattacharyya “começou a trabalhar, na verdade, não no projeto de reatores, mas em robôs para monitorar reatores de água fervente”, disse ela.

Seu foco acadêmico mudou em 2014, quando o voo MH370 da Malaysia Airlines desapareceu. “Esse foi um ponto de virada”, disse ela. “Como é possível não encontrarmos um avião?”

Durante seu doutorado, ela começou a construir alguns dos primeiros drones subaquáticos furtivos — sistemas capazes de mapeamento oceânico, reconhecimento, inspeção de dutos e outras funções críticas, disse Bhattacharyya.

Lancha de alta velocidade

No final de outubro, a Navier anunciou três barcos híbridos-elétricos, todos construídos integralmente pela empresa: embarcações de 9, 24 e 36 metros. A empresa afirma que cada um terá autonomia para milhares de milhas náuticas com uma única carga, já que a Navier acredita que deslizar sobre a água aumenta a eficiência de combustível de seus barcos.

“Por que não temos uma lancha de alta velocidade que vá de Redwood City a Berkeley?”, perguntou ela, acrescentando que em um de seus barcos, “a viagem levará 20 minutos, em vez de uma hora e meia”. Em 2022, a companhia levantou US$ 7,2 milhões (R$ 38 milhões) para produzir o seu “barco do futuro”.

A startup não está sozinha na busca por embarcações mais eficientes: a Vessev, uma startup da Nova Zelândia, e a Candela, de Estocolmo, também fabricam barcos elétricos com hidrofoil.

O anúncio da Navier sobre seus barcos maiores ocorre em um momento em que altos escalões militares sinalizam um forte desejo de adquirir tecnologia de startups. A Navier já trabalha com a Marinha e o Departamento de Defesa, disse Bhattacharyya, o que adiciona a Navier à crescente lista de startups de dupla utilização — ou seja, aquelas que trabalham tanto com clientes comerciais quanto governamentais.

“Você precisa de embarcações com longo alcance porque quer estar no Mar Vermelho, no Mar da China Meridional, percorrer longas distâncias e ter menos tempo para reabastecer”, acrescentou.

Bhattacharyya se sente revigorada pelas aplicações de defesa de sua empresa: “Eu vim praticamente do nada”, disse ela. “Ser capaz de fazer e construir algo que pode mudar fundamentalmente a forma como as pessoas interagem com o mundo é uma enorme bênção.”

Foto: Navier — Sampriti Bhattacharyya, ex-aluna do MIT que fundou a Navier

Por: Fabiana Rolfini

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