quinta-feira, 23 abril, 2026
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Como a Rabbot quer transformar a logística brasileira com automação e inteligência operacional na gestão de frotas

Com 6,6 milhões de veículos conectados à sua plataforma SaaS de inteligência operacional, a startup vê cada ativo como um centro de geração de receita; Gerdau, Total Express e Coca-Cola são algumas das empresas que se renderam à tecnologia

Fazer os caminhões rodarem sem interrupções, conectando e orquestrando diferentes componentes da gestão logística. Essa é a missão da Rabbot, logtech fundada em 2019 por Bruno Pelikan, um bacharel em Direito que nunca trabalhou como advogado, mas que chegou a dar aula de tênis nos EUA e que largou uma carreira no desenvolvimento de produtos em multinacionais como a International Paper para empreender.

A oportunidade veio de uma vivência própria de Pelikan, quando em certa madrugada ficou parado por horas numa estrada após a bateria do seu carro descarregar. Todo o transtorno e demora em ter o problema resolvido mostrou a ele a grande discrepância de informações envolvendo o setor de logística.

Sobre a Rabbot — Foto: Arte Época NEGÓCIOS

“A logística no Brasil é uma tese macroeconômica que não foi resolvida. E, historicamente, um mercado mega desprivilegiado do ponto de vista tecnológico”, diz ele.

Só que o jeito de ganhar dinheiro com um negócio em logística não estava muito claro para Pelikan no início. Houve muita tentativa e erro, e perrengue, até encontrar o modelo de negócio da Rabbot, que começou como um aplicativo que conectava prestadores de serviço à pessoas físicas que precisavam resolver algum problema mecânico no carro.

“Quando decidi criar a startup, vendi meu carro e com o dinheiro paguei o meu irmão, que é desenvolvedor, para ele criar a primeira versão da nossa tecnologia. Pegamos uma loja de conveniência de um posto de gasolina que estava desativada na zona oeste de São Paulo e a transformamos em nosso primeiro escritório”, conta.

Descomplicando a gestão logística

Após um tempo de mercado, a forte concorrência, e com a realização de pesquisas, contudo, o empreendedor entendeu que o desafio era maior do que imaginava — e ia além de veículos leves. Decidiu pivotar e monetizar com um SaaS focado em orquestrar o ciclo completo dos ativos de veículos pesados (como disponibilidade, manutenção e aquisição de peças) com inteligência operacional.

A plataforma de inteligência operacional da Rabbot usa robôs e Automação Inteligente de Processos (IPA) para orquestrar diferentes componentes que compõem a gestão logística em uma empresa. A logtech é pioneira em aplicar o conceito de Overall Vehicle Effectiveness (OVE) no Brasil. Enquanto o mercado trata caminhões como parte de um custo fixo, a Rabbot vê cada ativo como um centro de geração de receita.

Plataforma da Rabbot mostra etapas de disponibilidade de uma frota — Foto: Divulgação

No sistema, é possível colocar todo tipo de informação útil para a organização de uma frota, tais como o estado de conservação dos pneus, quantidade de combustível em tanque e nível de cansaço do condutor. Os dados podem ser colocados no sistema manualmente ou coletados em tempo real por sensores ou rastreadores conectados via APIs.

“Se a plataforma identifica a necessidade de comprar uma peça para um caminhão, por exemplo, a gente já conecta com a rede de distribuidores para que seja adquirida a peça correta. Então, tudo isso é orquestrado dentro da nossa plataforma para conectar de ponta a ponta essa operação”, explica.

Em 2022, veio a captação de R$ 23 milhões em uma rodada Série A liderada pelo Bradesco Private Equity & Venture Capital, para reafirmar que a pivotagem deu certo. “Percebemos que, de fato, acertamos a mão, principalmente com a chegada de grandes transportadoras como clientes”, afirma Pelikan. Gerdau, Total Express, Coca-Cola e Pepsico são algumas das empresas que se renderam ao SaaS da Rabbot.

Parte do escritório da Rabbot localizado no bairro de Pinheiros — Foto: Divulgação

Crescendo 100% ano a ano, a Rabbot hoje tem mais de 40 mil usuários (empresas e profissionais da cadeia automotiva) e 6,6 milhões de veículos conectados à sua plataforma. O pequeno espaço no posto de gasolina onde tudo começou se transformou, há alguns anos, em um escritório amplo no bairro de Pinheiros, onde inclusive a startup realiza, uma vez por mês, um workshop chamado Rabbot Experience.

A iniciativa, que já superou 20 edições, conecta transportadoras e especialistas do setor, ensinando metodologias e ferramentas práticas para otimizar processos de disponibilidade de ativos, manutenção da frota e aquisição de peças.

Por Fabiana Rolfini

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