Apesar de parecer sem sentido, o “microviolino” demonstra avanços na nanolitografia, técnica de gravar padrões nas menores escalas
Pesquisadores da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, resolveram fabricar o “menor violino do mundo” e criaram uma estrutura microscópica com apenas 13 mícrons de largura, mais fina que um fio de cabelo humano (que mede cerca de 180 mícrons). Cada mícron equivale a um milionésimo de metro, ou seja, 0,000001 metro.
Apesar de parecer sem sentido, o “microviolino” foi criado para demonstrar avanços na nanolitografia, técnica de gravar padrões em materiais nas menores escalas possíveis e essencial para o desenvolvimento de futuros dispositivos eletrônicos.

“Quando entendermos como os materiais se comportam, poderemos começar a aplicar esse conhecimento para desenvolver novas tecnologias, seja melhorando a eficiência da computação ou encontrando novas maneiras de coletar energia”, diz a física Kelly Morrison, da Universidade de Loughborough.
Segundo a pesquisadora, o sistema de nanolitografia permite projetar experimentos que investigam materiais de diferentes maneiras – usando luz, magnetismo ou eletricidade – e observar suas respostas.
Dois projetos de pesquisa da universidade já estão em andamento utilizando o sistema de nanolitografia. Um deles explora alternativas ao armazenamento magnético de dados. Já o outro investiga como o calor pode ser usado para armazenamento e processamento de dados mais rápidos e energeticamente eficientes.
Como o “violino mais fino do mundo” foi criado?
Apesar de ser apenas uma representação gráfica e não um instrumento funcional, o minúsculo violino foi feito usando um processo de quatro etapas:
- Primeiro, uma agulha superfina e aquecida desenha o padrão em um chip revestido com polímero;
- Em seguida, a área gravada é dissolvida, deixando uma cavidade;
- A terceira etapa é preencher a cavidade recém-formada no polímero com platina, que é o material do qual o violino é feito; e
- Por fim, o polímero restante é removido, revelando a estrutura metálica.
Esse método é semelhante à serigrafia – impressão onde a tinta é forçada através da tela para o material, como tecido, papel ou plástico – mas em escala nanométrica e com equipamentos de alta precisão, explicou Morrison. O procedimento foi realizado com um NanoFrazor, uma máquina de escultura ultraprecisa instalada em uma sala controlada para evitar contaminação por partículas.
Veja um vídeo de como o violino foi feito
Por: Gabriel Andrade


