Evento em Cuiabá reuniu prefeitos, especialistas e representantes do setor público e privado para discutir cidades inteligentes com foco na realidade brasileira
Durante três dias, de 1º a 3 de julho, Cuiabá foi o ponto de convergência para debates sobre inovação, sustentabilidade e transformação digital no setor público. A 4ª edição do evento Cidades Inovadoras, promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci-MT) por meio do Parque Tecnológico Mato Grosso, mobilizou gestores municipais, acadêmicos, empresários e representantes de instituições estaduais e federais.
Com uma programação intensa realizada na sede da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), o evento foi marcado por falas palestras, painéis e trocas de experiências que colocaram a gestão pública no centro da transformação das cidades.
Na noite de abertura, o auditório da AMM esteve lotado para receber autoridades como o secretário Allan Kardec (Seciteci-MT) e a ministra Luciana Santos, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ambos destacaram a importância de conectar soluções já existentes com as demandas reais dos municípios.
“Não queremos que a prefeitura invente solução. Queremos conectar quem já tem soluções com quem precisa delas”, afirmou Allan Kardec. Já a ministra reforçou que “cidades inteligentes colocam as pessoas no centro e garantem acesso equitativo à tecnologia”.
O lançamento da 2ª edição do Prêmio Cidades Inovadoras também foi destaque. O prêmio reconhecerá boas práticas em quatro categorias de municípios e oferecerá, além de reconhecimento, participação em missões técnicas em Curitiba e Barcelona.
Nos dias 2 e 3, o evento mergulhou em temas como inteligência artificial na gestão pública, sustentabilidade urbana, governo digital e inovação como motor do desenvolvimento. Um dos momentos mais marcantes foi o painel sobre experiências municipais de inovação, com falas da prefeita Flávia Moretti (Várzea Grande/MT) e do especialista Cláudio Nascimento (Porto Digital, Recife/PE).
Cláudio compartilhou o impacto do Porto Digital como ecossistema de inovação e destacou a importância da governança colaborativa. “Algo só é inovador se melhorar a vida das pessoas”, resumiu.
Já a prefeita Flávia expôs os desafios enfrentados em uma cidade ainda marcada por processos analógicos. “Peguei um município físico. Era papel pra todo lado. Estamos mudando isso com tecnologia e coragem”, afirmou. Ela detalhou avanços como telemetria no abastecimento de água, digitalização da gestão e uso de robótica educacional nas escolas municipais.
O evento também foi palco de debates realistas sobre a infraestrutura dos municípios mato-grossenses. Willian Moraes, secretário executivo da AMM, lembrou que muitos municípios ainda enfrentam a ausência de conectividade básica. “Não existe cidade inteligente sem gestão pública inteligente”, declarou.
A participação ativa do público, especialmente de servidores, evidenciou a importância da escuta na construção de soluções viáveis e sustentáveis.
Ao fim da programação, ficou evidente que inovação pública não se faz com receitas prontas, mas com escuta ativa, ousadia e foco no cidadão. Como definiu Cláudio Nascimento:
“Acredito que a maior dificuldade em aplicar, ao pé da letra, o conceito de Cidade Inteligente no Brasil está na nossa transculturalidade e na diversidade que permeia tudo o que acontece por aqui. Por isso, é fundamental que o gestor público compreenda a jornada dentro do seu próprio território e passe por um processo de aculturamento para entender as demandas locais. Esse é, para mim, o ponto de partida para desenvolver uma tecnologia mais humanizada. Só depois disso é que as novas tecnologias embarcadas poderão, de fato, transformar nossas cidades em ambientes mais inteligentes, com foco nas pessoas.”







