quinta-feira, 23 abril, 2026
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China acusa Nvidia de violar lei antimonopólio

Empresa teria desrespeitado compromissos de acordo firmado em 2020. Anúncio é visto como retaliação a medidas dos EUA contra empresas chinesas.

O órgão de regulação de mercado do governo chinês acusou a Nvidia de violar as leis antimonopólio do país. A companhia vinha sendo investigada desde dezembro de 2024 por supostamente desrespeitar um acordo feito para adquirir uma startup.

O anúncio acontece em um momento em que a China e os Estados Unidos discutem tarifas comerciais. O acesso do país asiático a chips para inteligência artificial é um dos pontos de disputa entre Washington e Pequim.

Qual é a acusação da China contra a Nvidia?

A investigação iniciada em dezembro tinha como objetivo verificar se a Nvidia quebrou compromissos firmados em 2020, quando comprou a companhia israelense Mellanox Technologies, especializada no projeto de chips.

Segundo a Reuters, um dos termos do acordo com autoridades regulatórias chinesas dizia que a Nvidia deveria continuar fornecendo GPUs para o mercado local, mas o governo do então presidente Joe Biden proibiu a venda dos chips aceleradores mais avançados.

A Administração Estatal para Regulação do Mercado da China informa que a investigação continuará, apesar de já ter publicado a acusação preliminar.

Caso a Nvidia seja considerada culpada, ela pode receber uma multa no valor de até 10% das vendas do ano anterior. No ano fiscal encerrado em 26 de janeiro de 2025, a companhia obteve US$ 17 bilhões em receita vinda do mercado chinês.

Por que a Nvidia está no meio da guerra comercial entre EUA e China?

A Nvidia é a principal fornecedora global de chips para treinamento e inferência de inteligência artificial. No entanto, as exportações de equipamentos avançados para a China estão bloqueadas há alguns anos — Washington não quer que os EUA percam a liderança no setor de IA.

Jensen Huang, CEO da Nvidia
Jensen Huang, CEO da Nvidia, atuou junto ao governo americano para liberar as vendas para a China (imagem: divulgação/Nvidia)

Em abril de 2025, as vendas para a China foram totalmente proibidas pelo governo de Donald Trump. A Nvidia conseguiu convencer as autoridades a liberar as vendas, com o pagamento de uma taxa de 15% das receitas geradas.

Mesmo assim, a tensão entre os dois países continua. Na sexta-feira (12/09), o governo Trump colocou duas empresas chinesas em uma lista de restrições comerciais por comprar equipamentos americanos para a fabricante de chips SMIC.

A acusação de Pequim contra a Nvidia, portanto, foi vista como uma retaliação e uma tentativa de ganhar poder de barganha nas discussões comerciais entre os dois países.

Com informações da Reuters e do Tom’s Hardware

Por: Giovanni Santa Rosa

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