Do ponto de vista econômico, o empreendedor brasileiro é o elo mais fraco no embate entre big techs e governos.
O recente anúncio de Mark Zuckerberg sobre o fim do sistema de fact-checking da Meta trouxe à tona uma tensão crescente entre as big techs e o Estado brasileiro. E, embora o bloqueio do X no Brasil tenha gerado muitos debates políticos e sociais, o impacto real para a maioria das empresas foi quase irrelevante.
No entanto, o cenário muda completamente quando falamos da Meta. O WhatsApp e o Instagram são essenciais para boa parte das empresas e empreendedores brasileiros. O WhatsApp possui mais de 2 bilhões de usuários no mundo, com o Brasil como um dos mercados mais significativos, alcançando 96% da população (Statista, 2024). Já o Instagram conta com mais de 134 milhões de usuários no Brasil, representando 62% da população total (Datareportal, 2024).
Agora imagine: e se esses serviços ficassem indisponíveis por dias ou semanas? Não seria a primeira vez que a dependência dessas plataformas geraria prejuízos significativos.
Embora Zuckerberg adote um pragmatismo distinto de Elon Musk, dono do X, que ficou evidente na resposta da Meta à AGU, informando que a mudança ocorrerá, inicialmente, apenas nos EUA, expandindo-se após testes e aprimoramento, vale lembrar, no entanto, que o WhatsApp já sofreu com decisões judiciais no Brasil. Em 2015 e 2016, o aplicativo foi bloqueado por determinação judicial, afetando milhões de usuários.
Já em 2021, por problemas técnicos, quando os serviços da Meta ficaram fora do ar por apenas algumas horas, diversos veículos noticiaram histórias de perdas consideráveis. Na época, uma pesquisa do Sebrae revelou que 70% dos pequenos negócios no Brasil dependiam do WhatsApp, Facebook e Instagram para vender.
Essa dependência levanta uma questão inevitável: até que ponto os negócios estão preparados para lidar com as incertezas de depender exclusivamente dessas plataformas?
Investir em canais próprios, como sites, aplicativos ou newsletters, não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade estratégica. Além de reduzir a dependência de terceiros, esses canais oferecem diversos benefícios, como redução dos custos de aquisição de clientes, maior acesso a dados e informações valiosas sobre os clientes, e melhora no relacionamento e na retenção ao oferecer uma experiência controlada e personalizada.
As tensões entre governos e big techs continuarão, e empresas que diversificam seus canais e fortalecem sua presença em propriedades próprias não apenas se protegem, mas também conquistam uma vantagem competitiva sustentável.