UE obtém acesso ao Mythos 5, modelo da Anthropic que identifica vulnerabilidades em códigos e preocupa autoridades de segurança
A União Europeia obteve acesso ao Mythos 5, modelo de IA da Anthropic que despertou preocupações por sua capacidade de identificar vulnerabilidades em códigos. A agência de cibersegurança ENISA já começou a testar a ferramenta após meses de negociações com a empresa.
O acesso ocorre em meio a restrições impostas ao modelo desde seu lançamento. A ENISA agora poderá avaliar diretamente suas capacidades de cibersegurança. A agência também já recebeu acesso a modelos avançados da OpenAI, incluindo o GPT-5.6 Cyber e o GPT-6-ASTRA.
Por que o Mythos 5 preocupa?
O Mythos 5 consegue identificar vulnerabilidades em códigos de computador. A capacidade pode ajudar a encontrar falhas, mas também despertou preocupações sobre os riscos relacionados ao uso da inteligência artificial em ciberataques.
O modelo provocou preocupações de segurança nacional entre autoridades dos Estados Unidos e de outros países. Por isso, seu acesso permaneceu limitado.
A Anthropic disponibilizou inicialmente o Mythos 5 para cerca de 50 empresas e organizações, entre elas a Amazon Web Services e o JPMorgan Chase. Em junho, o grupo foi ampliado para aproximadamente 150 organizações.
Meses de negociação com a Anthropic
Autoridades de cibersegurança negociavam com a Anthropic desde maio para conseguir testar o Mythos 5. A Comissão Europeia havia informado anteriormente que mantinha conversas com a empresa sobre o modelo.
A liberação foi confirmada nesta quinta-feira (10). A ENISA recebeu acesso ao sistema e já iniciou os testes neste mês.
Após nossa colaboração construtiva com a Anthropic, podemos confirmar que a agência de cibersegurança da UE, a ENISA, recebeu acesso ao Mythos 5 e já está realizando testes.Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para Assuntos Digitais, em nota.
O que a UE vai avaliar?
Os testes permitirão à ENISA examinar o comportamento do Mythos 5 e suas capacidades relacionadas à segurança cibernética. O modelo é capaz de identificar vulnerabilidades em códigos, característica que está no centro das preocupações sobre seu uso.
Entre os aspectos envolvidos estão:
- A capacidade de identificar vulnerabilidades em códigos;
- Os riscos associados a essas capacidades;
- As possíveis implicações para a segurança cibernética;
- O comportamento do modelo durante os testes da ENISA.
OpenAI também liberou modelos
O Mythos 5 não é o primeiro modelo avançado ao qual a agência europeia teve acesso. A ENISA já havia recebido acesso a sistemas da OpenAI, incluindo o GPT-5.6 Cyber e o GPT-6-ASTRA.
Com o acesso ao modelo da Anthropic, a agência passa a testar diretamente outra inteligência artificial avançada cuja capacidade de encontrar vulnerabilidades em códigos provocou preocupações de segurança e levou a restrições em sua distribuição.
Por: Valdir Antonelli


