Primeiro-ministro da Austrália criticou publicamente a dona do ChatGPT.
Um agente de inteligência artificial da OpenAI acessou arquivos privados do sistema de saúde da Austrália por conta própria, levando o governo a anunciar uma investigação. Segundo o primeiro-ministro Anthony Albanese, a IA “não aceitou um não como resposta” e conseguiu burlar os mecanismos de segurança em pelo menos quatro portais da área da saúde.
O caso vem à tona em meio a polêmicas envolvendo denúncias de que a evolução da tecnologia estaria fora de controle, impondo riscos cibernéticos e até biológicos. O CEO da OpenAI, Sam Altman, foi um dos líderes de IA que se posicionou a favor de frear o desenvolvimento de inteligência artificial.
O primeiro-ministro falou sobre o caso nesta quinta-feira (24/09) em Nova York, onde cumpre compromissos na Assembleia Geral da ONU. De acordo com ele, os dados acessados não são sensíveis, mas classificou a situação como “obviamente inaceitável”. O líder australiano também afirmou ter conversado com Altman.
Alerta da OpenAI só veio três meses depois
Segundo Albanese, a invasão dos sistemas se deu em junho, mas a OpenAI só alertou o governo via email em 10 de setembro. O acesso se deu a partir de testes internos da empresa, em que a inteligência foi capaz de burlar blocos de defesa. De acordo com o líder australiano, não há indícios de envolvimento estrangeiro.
A própria dona do ChatGPT reconheceu a situação. Em um posicionamento enviado à mídia especializada, a empresa confirmou que identificou a tentativa de acesso da IA a dados estatísticos em sites do governo, e que o modelo “não agiu como deveria”. Ou, nas palavras de Albanese, o agente “não aceitou um não como resposta”.
Saia justa em meio a preocupações com autonomia
Os últimos meses têm sido de muitas polêmicas no mercado de IAs. Desde 2025, tanto OpenAI quanto Anthropic vêm publicando relatórios avisando sobre a alta capacidade de seus modelos para encontrar vulnerabilidades em sistemas de cibersegurança, entre outros riscos.
Novos esforços de salvaguardas foram apresentados junto com a chegada do GPT 5.6 e Mythos 5. As próprias IAs chegaram a ter seu lançamento adiado até que empresas do ramo conseguissem aprimorar suas defesas.
Mais recentemente, um desenvolvedor que trabalhou em ambos os projetos apontou irresponsabilidade das empresas em relação a riscos não só para sistemas, mas também para a humanidade. Depois disso, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, veio a público para defender a diminuição do ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA atuais.
Situação pede novos protocolos de segurança
Em 17 de setembro, a OpenAI divulgou um relatório com novas situações de risco envolvendo seus modelos e anunciou protocolos para lidar com o “desalinhamento de IA”. O próprio Altman levou a preocupação aos líderes mundiais no Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (23/09), alertando para o chamado autoaperfeiçoamento recursivo das IAs.
Apesar do posicionamento, a saia justa com o governo australiano não foi evitada. Segundo Albanese, Altman reconheceu que os protocolos atuais são falhos e “aceitou que a empresa não fez o suficiente”. O primeiro-ministro garantiu que o caso será investigado e terá o possível envolvimento da polícia. Ele disse que “certamente haverá consequências legais”.
Por: Yuri Hildebrand


