Ferramenta de código aberto foi treinada com décadas de dados de missões lunares, e pode ajudar a viabilizar futuras bases humanas no satélite natural
A IBM e a NASA anunciaram nesta quinta-feira (10) o lançamento de um modelo de inteligência artificial de código aberto voltado à análise da superfície lunar, em mais um passo na preparação de missões tripuladas de longa duração na Lua. As informações são da Reuters.
A ferramenta foi criada para ajudar cientistas a examinar décadas de observações do satélite, assim como identificar locais com potencial para sustentar futuras operações humanas.
Batizado de NASA-IBM Lunar Foundation Model, o sistema foi treinado com mais de 30 camadas de dados coletados por nove instrumentos científicos embarcados em quatro missões da agência espacial americana, incluindo o orbitador Lunar Reconnaissance Orbiter. O modelo passa a integrar a família Prithvi, conjunto de modelos de IA desenvolvidos pela IBM e pela NASA para aplicações geoespaciais, meteorológicas e científicas.
Segundo as organizações, a tecnologia pode acelerar atividades que tradicionalmente exigem análises manuais de mapas e imagens. Entre as aplicações, estão:
- Identificação de depósitos de gelo em regiões permanentemente sombreadas da Lua;
- Mapeamento de crateras para seleção de áreas seguras de pouso;
- Estudo de formações vulcânicas na superfície lunar.
Nos testes de desempenho, o modelo identificou características-chave do terreno lunar com precisão até 23% superior à de métodos amplamente utilizados atualmente, de acordo com a IBM e a NASA.
A busca por gelo é considerada estratégica para os planos de exploração espacial das próximas décadas, pois sua presença indica a existência de água e oxigênio — recursos vistos como fundamentais para uma futura base lunar. Além de apoiar a permanência de astronautas na Lua, esses insumos poderiam ser usados na produção de combustível para missões mais distantes, incluindo expedições a Marte.
A iniciativa se conecta diretamente ao programa Artemis, da NASA, que prevê o retorno de astronautas à superfície lunar em 2028. O objetivo é testar tecnologias necessárias para uma presença humana contínua no satélite e estabelecer as bases para futuras missões tripuladas ao planeta vermelho.
*Com supervisão de Daniel Pinheiro
Foto: Divulgação / NASA
Por: Época Negócios


