terça-feira, 08 setembro, 2026
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Pesquisas buscam transformar resíduos agroindustriais em combustíveis e novos produtos

Estudos do INT investigam como aproveitar materiais que sobram da produção agrícola para produzir energia, combustíveis e produtos de origem renovável

Resíduos que sobram de processos de produção da agroindústria podem ganhar novas utilidades em vez de serem apenas descartados. Pesquisas do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) estudam maneiras de transformar esses materiais em combustíveis renováveis, matérias-primas e outros produtos com valor agregado. A ideia é aproveitar melhor recursos que já existem nas cadeias produtivas brasileiras, reduzir o desperdício e abrir caminho para alternativas de origem renovável.  

Os estudos incluem resíduos da cana-de-açúcar, casca de laranja, caroços de manga e açaí e resíduos das cadeias da mandioca, do sisal e da palma, além de efluentes gerados durante alguns processos industriais. 

Esses materiais são exemplos de biomassa, nome dado à matéria de origem vegetal ou animal que pode ser aproveitada para produzir energia ou novos itens. Porém, cada resíduo tem características próprias, por isso, antes de pensar no que produzir, os pesquisadores precisam descobrir quais componentes estão presentes no material e como eles podem ser aproveitados. 

Do resíduo ao novo produto 

Na prática, o que sobra da produção de alimentos e de outros produtos agrícolas pode esconder componentes úteis, como açúcares, óleos e outras substâncias de interesse industrial. 

É o caso do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, que são ricos em açúcares. Esses materiais podem alimentar processos com microrganismos para a obtenção de gases como hidrogênio e metano, que servem como fonte de energia renovável. 

As sementes de açaí, por outro lado, são estudadas para a obtenção de antioxidantes e açúcares de interesse, além do uso na composição de materiais biodegradáveis. Já os resíduos da mandioca e da produção do óleo de palma podem ser aproveitados na produção de biocombustíveis.  

E como a transformação ocorre?  

Para que um resíduo seja transformado em outro produto, os pesquisadores analisam a composição do material para identificar componentes de interesse. A partir dessa informação, escolhem o processo mais adequado para separar, liberar ou transformar o componente desejado.  

A cana-de-açúcar ajuda a entender melhor esse caminho. Seus resíduos têm grande presença de açúcares, mas eles ficam presos em uma estrutura vegetal resistente, como se estivessem protegidos dentro do material. Por isso, pode ser necessário um processo para abrir essa estrutura e facilitar o acesso aos açúcares. 

Com essas moléculas disponíveis, entram em ação os microrganismos, como bactérias e outros seres microscópicos. Em condições controladas no laboratório, eles consomem determinados componentes e podem transformá-los em gases e outras substâncias.  

Nem todo resíduo, porém, segue esse mesmo caminho. Materiais ricos em óleos e gorduras exigem processos diferentes. Nesses casos, enzimas ou processos químicos podem ser usados para modificar essas substâncias e obter compostos com outras aplicações industriais.  

Menos descarte e novas oportunidades  

O aproveitamento desses materiais pode trazer, além de benefícios ambientais, econômicos. Quando um resíduo passa a ser usado como matéria-prima, é diminuída a quantidade de material que precisa de tratamento ou descarte e são reduzidos os impactos de uma destinação inadequada.  

Desenvolver novas tecnologias para o aproveitamento dessas biomassas também pode estimular atividades econômicas e criar oportunidades de trabalho e renda nas próprias regiões onde os resíduos são produzidos.  

Ou seja, objetivo dos estudos é mudar a percepção sobre esses materiais, ao invés de serem considerados apenas algo que precisa ser eliminado, resíduos e efluentes poderão se tornar fontes de energia, matérias-primas e novos produtos.  

A tecnologia em diferentes etapas  

As pesquisas do INT estão em diferentes fases de desenvolvimento. Algumas rotas tecnológicas ainda passam pelos primeiros testes em laboratório. Nessa etapa, os pesquisadores verificam se a ideia funciona, quais condições apresentam os melhores resultados e se há potencial para seguir adiante.  

Outros processos já são testados em escalas maiores para verificar se as tecnologias que funcionam no laboratório também podem ser aplicadas em volumes maiores. Essa etapa inclui testes, ajustes e análises da viabilidade técnica e econômica para uma possível aplicação na indústria.  

Os trabalhos do Instituto contam com parcerias de universidades, centros de pesquisa e agências de apoio à pesquisa. O INT também atua aproximando o conhecimento científico das necessidades da indústria e transformando resíduos agroindustriais em produtos de valor agregado.

Fonte: Gov.br

Redação
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