quinta-feira, 13 agosto, 2026
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TSE pode definir novo limite para deepfakes nas eleições de 2026

TSE debate proibição de deepfakes nas eleições após vídeo de Bolsonaro feito com IA ser exibido em convenção de Flávio Bolsonaro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reúne nesta quinta-feira (13) para discutir o uso de deepfakes nas campanhas eleitorais. A reunião ocorre após uma ação do PT contra um vídeo de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial e exibido na convenção que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência.

Segundo o g1, os ministros devem decidir se a proibição será geral ou se ficará limitada a conteúdos capazes de enganar eleitores ou prejudicar candidatos. Eles também devem discutir quais punições seriam aplicadas em caso de violação.

Ministros discutem alcance da regra

A reunião será fechada e ocorrerá depois da sessão de julgamentos do plenário. O encontro foi marcado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.

Ministros ouvidos pelo g1 apontam uma tendência de proibição geral dos deepfakes. Uma das justificativas é evitar uma enxurrada de ações individuais sobre o uso da tecnologia nas campanhas.

Algumas linhas devem concentrar a conversa:

  • proibir qualquer uso de deepfake durante a campanha;
  • permitir a tecnologia quando não houver tentativa de enganar o eleitor ou prejudicar um candidato;
  • estabelecer advertências e multas para determinadas violações;
  • aplicar punições mais severas em casos recorrentes.

A resolução publicada pelo TSE neste ano já proíbe conteúdo sintético gerado ou manipulado digitalmente para prejudicar ou favorecer uma candidatura. A regra abrange alterações na imagem ou na voz de pessoas vivas, falecidas ou fictícias.

Vídeo de Bolsonaro está no processo

A ação do PT envolve um vídeo exibido na convenção que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato do PL. Nas imagens, um avatar se apresenta como uma simulação da imagem e da voz do ex-presidente e informa que foi produzido com inteligência artificial.

Para o PT, avisar que houve uso de IA não torna o conteúdo permitido. Na ação apresentada ao TSE, o partido afirma: “O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake”.

A defesa de Flávio Bolsonaro discorda. Os advogados sustentam que não houve tentativa de enganar o público, já que o vídeo informava que não se tratava da presença física, de uma transmissão ao vivo ou de uma gravação autêntica de Bolsonaro.

A defesa comparou ainda o recurso a máscaras e bonecos de papel usados em campanhas. Segundo os advogados, houve “apenas a criação de um boneco tecnológico”, acompanhada de avisos sobre o uso da IA.

Decisão pode afetar eleições de 2026

Especialistas também divergem sobre a interpretação das regras eleitorais. Para uma corrente, o material já seria irregular porque a norma do TSE impede conteúdos sintéticos que substituam a imagem ou a voz de uma pessoa, mesmo com autorização. Outra avaliação é que a inteligência artificial pode ser usada nas eleições desde que o público seja informado claramente sobre sua utilização.

O caso pode ser julgado pelo TSE na próxima semana. Se a Corte adotar uma proibição total, o vídeo exibido na convenção poderá ser considerado irregular e resultar em multa.

O entendimento que sair desse debate deve estabelecer um parâmetro para o uso de conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial durante a campanha eleitoral.

Imagem: Reprodução/YouTube (canal do PL)

Por: Valdir Antonelli

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