sexta-feira, 07 agosto, 2026
HomeECONOMIADurigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

Juros elevados são o principal fator do endividamento público

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o aumento da dívida brasileira não se deve ao aumento de gastos, e sim aos juros altos que são cobrados no País. Segundo ele, isso ocorre por conta da necessidade de o governo pagar dívidas antigas com títulos novos, o que implica em mais pagamento de juros.

A declaração do ministro em entrevista à Globonews nesta quinta-feira, 6. Ele explicou que, de fato, há relação entre a questão fiscal e os juros, mas que há também outros fatores decisivos que acabam por influenciar as altas taxas cobradas no Brasil.

Perguntado sobre se os gastos do governo favorecem o cenário de juros altos, o ministro garantiu que “o governo não está gastando mais do que arrecada”.

“O que acontece é que estamos pagando dívidas antigas com títulos novos. É, portanto, na gestão da dívida que estamos aumentando a dívida. É na rolagem da dívida, e não nos gastos”, complementou.

Em julho, dados divulgados pelo Tesouro Nacional mostram que a emissão forte de títulos vinculados à Taxa Selic, os juros básicos da economia, fez a Dívida Pública Federal (DPF) subir em junho, superando os R$ 9,2 trilhões.

Durigan reiterou que os juros elevados são o principal fator por trás do aumento do endividamento público.

“Claro que vamos continuar atuando para melhorar o resultado fiscal do País”, disse ao destacar que, do ponto de vista econômico, o país está muito bem, “com o melhor resultado de inflação da história” e as agências internacionais de risco melhorando cada vez mais as avaliações sobre o País.

Barrar crédito 

O ministro destacou que é preciso usar de inteligência financeira e serviços de open finance para impedir que pessoas já endividadas sigam tomando crédito. Segundo ele, é preciso fazer com que haja um estímulo à tomada de crédito por meio de linhas “boas” e um desestímulo a linhas de créditos ruins.

“Temos que usar a boa e bem sucedida estratégia de Open Finance, que já tem sido utilizada para baixar spreads e aumentar a concorrência. Veja o que me incomoda: se eventualmente a gente sabe, enquanto sistema financeiro, que determinado consumidor já tem cinco cartões de crédito, tem dívida atrasada, por que se pode autorizar a emissão de um novo cartão de crédito com limite que, na certa, vai trazer mais endividamento para essa pessoa?”, exemplificou Durigan, durante participação em painel da Expert XP, na capital paulista.

Entre as linhas que ele considera como “boas”, Durgan mencionou também a modalidade do crédito consignado privado, lançada pelo governo recentemente. Questionado sobre se o governo não teria facilitado muito o acesso ao crédito à população recentemente, Durigan defendeu, por exemplo, o programa Desenrola. Segundo ele, a iniciativa não busca “defender os endividados”.

“Eu não quero defender o inadimplente. O que nós estamos reconhecendo com o Desenrola, é que as pessoas fizeram dívidas, em especial na pandemia, e os serviços dessa dívida são difíceis de gerir. Quando a gente estratifica o que está impactando, o cartão de crédito é o principal elemento que impacta a vida das pessoas”, detalhou.

De acordo com o ministro, a inteligência financeira também deve ajudar a desestimular o crédito ruim às pessoas. “Pensar duas vezes antes de pegar um cartão de crédito novo. Se você pode, por exemplo, fazer um consignado. Consignado é crédito bom. É crédito bom que tem garantia e vem, via de regra, com juros mais baixos.”

Com informações de Agência Brasil/Estadão de Conteúdo. 

Por: Mercado & Consumo

RECOMENDADOS

MAIS POPULAR