Pesquisadores chineses desenvolveram a estrutura de 582 toneladas que confina plasma a 100 milhões de graus Celsius para gerar eletricidade por fusão até 2030, segundo o Daily Sun
A China concluiu a construção e os testes do maior ímã supercondutor do mundo para fusão nuclear, componente central do projeto do país para gerar eletricidade por fusão até cerca de 2030. A conquista foi publicada pelo Daily Sun em 29 de julho de 2026.
O feito, segundo o veículo Daily Sun (daily-sun.com), posiciona a China entre os líderes globais na corrida pela energia de fusão, considerada por cientistas a fonte definitiva de energia limpa e sem emissão de carbono. O ímã foi desenvolvido pelo Instituto de Física de Plasma da Academia Chinesa de Ciências.
A estrutura é um ímã de campo toroidal supercondutor com formato de “D”, medindo 21 metros de comprimento e 12 metros de largura, com peso de 582 toneladas. Pesquisadores afirmam que ele possui 1,3 vez o volume e o triplo da energia armazenada em relação a ímãs equivalentes desenvolvidos para o ITER (Reator Termonuclear Experimental Internacional), o maior projeto de fusão do mundo atualmente em construção.
Papel do ímã e tecnologias associadas
A função do ímã é gerar um campo magnético de intensidade extrema capaz de confinar o plasma, um gás superaquecido que atinge cerca de 100 milhões de graus Celsius, dentro do reator sem que entre em contato com as paredes. Em paralelo, pesquisadores também testaram com sucesso uma bobina solenoide central supercondutora de alta temperatura, descrita como o coração de um reator de fusão. Semelhante a uma vela de ignição em um motor a combustão, esse componente inicia e sustenta o plasma necessário para as reações de fusão.
A China afirma que ambas as tecnologias foram desenvolvidas integralmente com materiais e capacidade de fabricação domésticos, encerrando a dependência de fornecedores estrangeiros para componentes críticos de fusão. O programa de seis anos gerou 47 patentes e 25 normas técnicas industriais, segundo a equipe de pesquisa.
Veja o enorme ímã entrar em operação aqui
Exigências de engenharia
A construção do ímã exigiu precisão de engenharia de alto grau. O equipamento precisa operar de forma confiável por 60 anos a temperaturas próximas de menos 269°C, suportando correntes elétricas extremamente elevadas, além de radiação intensa e forças mecânicas. Os engenheiros reduziram a resistência elétrica nas junções críticas a valores próximos de zero, permitindo que correntes superiores a 100 mil amperes circulem com perda de energia quase nula, um requisito indispensável para reatores de fusão comerciais.
O avanço se soma a outro marco obtido pelo país em 2026; o Tokamak Supercondutor Experimental Avançado (EAST, na sigla em inglês), chamado de “Sol artificial” da China, estabeleceu um recorde mundial ao manter plasma a 100 milhões de graus Celsius por 1.066 segundos.
Roteiro para fusão comercial
A China traçou um plano em três etapas para a fusão comercial. O Tokamak Supercondutor Experimental de Plasma em Ignição deve ser concluído até o fim de 2027. A primeira geração de energia por fusão está prevista para por volta de 2030. A etapa final é a construção do Reator de Demonstração de Engenharia de Fusão da China, que poderá se tornar a primeira usina de demonstração de fusão do mundo.
Apesar dos avanços, pesquisadores afirmam que desafios relevantes permanecem. A montagem completa do reator, os testes de longo prazo e a comprovação de que a tecnologia consegue gerar mais energia do que consome ainda estão por vir.
Imagem: Divulgação
Fonte: Giz_br


