As ações da SpaceX ultrapassaram os US$ 160, elevando o valor de mercado da empresa para mais de US$ 2 trilhões
As ações da SpaceX começaram a ser negociadas a US$ 150, um aumento de 11% em relação ao preço de sua oferta pública inicial (IPO) de US$ 135 por ação. E os papéis continuavam subindo logo depois.
Nos primeiros minutos, as ações da SpaceX ultrapassaram os US$ 160, elevando o valor de mercado da empresa para mais de US$ 2 trilhões – a previsão era de algo na casa de US$ 1,77 trilhão.
O sino tocou! Elon Musk comemora IPO da SpaceX
Elon Musk fez um pronunciamento nesta sexta-feira (12) na sede da SpaceX em Starbase, Texas, enquanto executivos da empresa tocavam o sino de abertura da Nasdaq na cidade de Nova York.
“Eu dava à SpaceX menos de 10% de chance de sucesso. Eu dizia isso às pessoas: ‘Olha, provavelmente vamos fracassar, mas, sabe, devemos tentar, porque se não tentarmos, se não houver uma nova empresa que entre no espaço, nunca seremos uma civilização verdadeiramente espacial“, disse o CEO.

O público presente, tanto no Texas quanto em Nova York, aplaudiu o toque do sino de abertura.
O mercado de ações dos EUA abriu às 10h30 da manhã (horário de Brasília), mas as ações da SpaceX não começaram a ser negociadas imediatamente.
Adiar o início da negociação de ações de uma empresa estreante faz parte do script para garantir que a entrada dos papéis no mercado ocorra da forma mais tranquila possível.
Expectativas desde a manhã
Ao longo da manhã, banqueiros avaliavam a demanda junto com investidores. O objetivo era garantir que as ações da SpaceX estivessem relativamente estáveis quando estreassem. Para uma oferta tão alta quanto a da SpaceX, isso pode levar horas.
No melhor dos mundos, espera-se que os papéis subam gradualmente ao longo do dia – o que já vem acontecendo.
O IPO da SpaceX
A empresa fundada por Elon Musk estreou com uma avaliação de mercado acima do esperado, que era de US$ 1,77 trilhão – patamar que já a colocaria entre as mais valiosas do mundo.
A operação também entra para a história pelo tamanho. O recorde de IPO anterior pertencia à Saudi Aramco, em dezembro de 2019, com captação de US$ 25,6 bilhões e uma avaliação de US$ 1,71 trilhão.
O entusiasmo do mercado reflete não apenas a posição dominante da SpaceX no setor espacial, mas também a percepção de que a empresa está se tornando muito mais do que uma fabricante de foguetes. Nos documentos apresentados aos investidores, a companhia destaca oportunidades ligadas à inteligência artificial, conectividade global e infraestrutura computacional baseada no espaço.
Os recursos captados devem financiar a expansão dessas iniciativas. Entre elas está o desenvolvimento de data centers orbitais, uma aposta para atender ao crescimento acelerado da demanda por capacidade computacional impulsionada pela inteligência artificial.
Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável, o movimento mostra que o mercado continua disposto a investir muito dinheiro em empresas que combinam “infraestrutura estratégica, tecnologia e potencial de crescimento exponencial”. Isso porque a SpaceX tem a Starlink, de conectividade via satélite, e a xAI, de inteligência artificial, em seu portfólio.
Por outro lado, há um temor em relação à supervalorização das ações, principalmente em um cenário em que as promessas de Musk – como os data centers orbitais – ainda estão longe de virar realidade.
Kenneth Corrêa, especialista em tecnologias emergentes e professor da FGV, defende que não é bem assim. Ele concorda que há um certo “efeito Elon Musk” no mercado, já que o sucesso da empresa depende da crença em promessas que ainda precisam se provar.
No entanto, há outro fator importante em jogo: inteligência artificial. A ideia é unir as expertises da SpaceX no setor aeroespacial, da Starlink em satélites e conectividade, e da xAI em IA para operar infraestrutura fora da Terra.
“Enquanto gigantes como AWS, Azure e Google Cloud rodam seus supercomputadores presos ao chão, a SpaceX aposta em ser a infraestrutura definitiva da era cognitiva, operando do espaço. É uma aposta de altíssimo risco e execução complexa, mas o mercado de tecnologia atual prefere pagar muito caro pelo domínio do futuro do que focar apenas no lucro do trimestre passado”, avalia Kenneth.
Imagem: Reprodução/Nasdaq
Por: Bruno Capozzi


