Google quer transformar a busca em uma interface com IA capaz de responder, planejar e executar tarefas digitais.
O Google prepara uma mudança profunda na forma como as pessoas usam busca, vídeos, aplicativos e agentes de IA. Em entrevista ao The Verge, Sundar Pichai, o CEO do Google, afirmou que a empresa reorganizou sua estrutura para acelerar produtos com Gemini, Search, YouTube, Cloud e plataformas como Android e Chrome.
O Google virou uma empresa mais centrada em IA
Pichai disse que a empresa passou por mudanças internas depois do impacto causado pelo ChatGPT. A prioridade foi criar uma infraestrutura comum para levar IA a vários produtos ao mesmo tempo.
Essa reorganização juntou equipes de pesquisa como Brain e DeepMind no Google DeepMind. Também criou uma equipe centralizada de infraestrutura de IA e uma função de arquiteto-chefe para espalhar a tecnologia pela empresa.
O objetivo foi acelerar decisões e evitar que cada produto desenvolva sua própria inteligência isolada.
A busca começa a virar uma ferramenta de ação
A mudança mais importante está na Busca do Google. A busca deixa de funcionar apenas como uma página de links e passa a incluir respostas, contexto, agentes e até criação de softwares simples.
Na prática, uma pesquisa poderá iniciar tarefas, não só mostrar resultados. Uma viagem, uma compra ou uma decisão de consumo podem ganhar respostas personalizadas, comparações e ações automáticas.
Pichai afirmou que recursos como Gemini Spark e Antigravity fazem parte da mesma direção. O usuário não precisa entender a engrenagem técnica. Ele apenas pede algo, e o sistema aciona ferramentas por trás.
Personalização traz utilidade, mas também tensão
O novo modelo cria a pergunta: o que acontece quando cada pessoa recebe uma busca diferente?
Pichai defendeu que existem temas objetivos, como a capital de um país, e temas subjetivos, como a melhor viagem ou o melhor Chromebook. Nesses casos, a personalização pode fazer sentido.
Mas a mudança mexe com uma função cultural do Google. Durante décadas, a busca serviu como uma espécie de referência comum da internet.
Agora, a resposta pode depender do contexto, do histórico e dos serviços conectados ao usuário.
O impacto sobre sites e criadores segue aberto
A entrevista também abordou a preocupação de publishers com a queda de tráfego vindo do Google. O termo “Google Zero” resume esse medo, pois será um futuro em que a busca responde tudo e envia poucos leitores aos sites.
Pichai negou que esse destino seja inevitável. Ele disse que o Google continua comprometido em conectar usuários ao conteúdo da web.
Ao mesmo tempo, reconheceu que a forma de consumir informação mudou. Podcasts, vídeos, conteúdos de usuários, assinaturas e respostas por IA disputam o mesmo espaço.
A próxima fase pode chegar rápido
Pichai também comentou a ideia de inteligência artificial geral, ou AGI. Para ele, o prazo exato importa menos do que a velocidade de avanço dos sistemas atuais.
Assim, Google, empresas, criadores e usuários já entram em uma fase na qual IA não apenas responde, mas planeja, organiza e executa.
Veja a entrevista:
Por: Hemerson Brandão


