sexta-feira, 05 junho, 2026
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CEO admite que a internet está caminhando para o “Google Zero”

Google quer transformar a busca em uma interface com IA capaz de responder, planejar e executar tarefas digitais.

O Google prepara uma mudança profunda na forma como as pessoas usam busca, vídeos, aplicativos e agentes de IA. Em entrevista ao The Verge, Sundar Pichai, o CEO do Google, afirmou que a empresa reorganizou sua estrutura para acelerar produtos com Gemini, Search, YouTube, Cloud e plataformas como Android e Chrome.

O Google virou uma empresa mais centrada em IA

Pichai disse que a empresa passou por mudanças internas depois do impacto causado pelo ChatGPT. A prioridade foi criar uma infraestrutura comum para levar IA a vários produtos ao mesmo tempo.

Essa reorganização juntou equipes de pesquisa como Brain e DeepMind no Google DeepMind. Também criou uma equipe centralizada de infraestrutura de IA e uma função de arquiteto-chefe para espalhar a tecnologia pela empresa.

O objetivo foi acelerar decisões e evitar que cada produto desenvolva sua própria inteligência isolada.

A busca começa a virar uma ferramenta de ação

A mudança mais importante está na Busca do Google. A busca deixa de funcionar apenas como uma página de links e passa a incluir respostas, contexto, agentes e até criação de softwares simples.

Na prática, uma pesquisa poderá iniciar tarefas, não só mostrar resultados. Uma viagem, uma compra ou uma decisão de consumo podem ganhar respostas personalizadas, comparações e ações automáticas.

Pichai afirmou que recursos como Gemini Spark e Antigravity fazem parte da mesma direção. O usuário não precisa entender a engrenagem técnica. Ele apenas pede algo, e o sistema aciona ferramentas por trás.

Personalização traz utilidade, mas também tensão

O novo modelo cria a pergunta: o que acontece quando cada pessoa recebe uma busca diferente?

Pichai defendeu que existem temas objetivos, como a capital de um país, e temas subjetivos, como a melhor viagem ou o melhor Chromebook. Nesses casos, a personalização pode fazer sentido.

Mas a mudança mexe com uma função cultural do Google. Durante décadas, a busca serviu como uma espécie de referência comum da internet.

Agora, a resposta pode depender do contexto, do histórico e dos serviços conectados ao usuário.

O impacto sobre sites e criadores segue aberto

A entrevista também abordou a preocupação de publishers com a queda de tráfego vindo do Google. O termo “Google Zero” resume esse medo, pois será um futuro em que a busca responde tudo e envia poucos leitores aos sites.

Pichai negou que esse destino seja inevitável. Ele disse que o Google continua comprometido em conectar usuários ao conteúdo da web.

Ao mesmo tempo, reconheceu que a forma de consumir informação mudou. Podcasts, vídeos, conteúdos de usuários, assinaturas e respostas por IA disputam o mesmo espaço.

A próxima fase pode chegar rápido

Pichai também comentou a ideia de inteligência artificial geral, ou AGI. Para ele, o prazo exato importa menos do que a velocidade de avanço dos sistemas atuais.

Assim, Google, empresas, criadores e usuários já entram em uma fase na qual IA não apenas responde, mas planeja, organiza e executa.

Veja a entrevista:

Imagem: Google

Por: Hemerson Brandão

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