Consumo energético impulsionado pela inteligência artificial cresceu 15% em escala global nos últimos dois anos, aponta IDCA.
A International Data Center Authority (IDCA) divulgou que centros de dados consomem 6% da eletricidade no Reino Unido e nos Estados Unidos. O levantamento mostra que o consumo energético impulsionado pela inteligência artificial cresceu 15% em escala global nos últimos dois anos. A organização alerta para o surgimento de resistência comunitária ao avanço dessa infraestrutura.
O investimento global anual em centros de dados se aproxima de US$ 1 trilhão. Esse montante representa quase 1% da economia mundial, segundo dados da IDCA.
Fila para conexão à rede cresce 460%
Os dados surgem em contexto de escassez energética no Reino Unido. Desenvolvedores de centros de dados relatam esperas de vários anos para obter conexões à rede nacional. Na primeira metade de 2025, por exemplo, a fila para conectar à rede cresceu 460%.
De acordo com a IDCA, o aumento do uso de energia globalmente está “gerando preocupações sociais e políticas”. A organização pediu que empresas de tecnologia se tornem mais transparentes sobre seus planos para novos centros de dados para lidar com a “frustração comunitária”.
O governo do Reino Unido estimou no início de 2025 que os centros de dados do país usavam 2,5% da eletricidade. A previsão governamental indicava que esse percentual aumentaria quatro vezes até 2030.
Singapura e Lituânia lideram consumo proporcional
Reino Unido e Estados Unidos, com 5,9% e 6% respectivamente, estão acima da média global de 2%. Singapura e Lituânia enfrentam pressão ainda maior sobre o fornecimento de energia. Nesses países, 19% e 11% da energia da rede nacional são consumidos por centros de dados.
A pesquisa da IDCA conclui: “Resistência comunitária e política significativa começa a ocorrer nas nações uma vez que suas pegadas de centros de dados atingem o nível de consumo de 5% das redes nacionais”.
O jornal The Guardian reportou nesta semana que desenvolvedores trabalhando para o Google declararam incorretamente quanto carbono dois centros de dados de IA propostos contribuiriam para as emissões totais do Reino Unido.
Greenpeace alerta sobre impactos ambientais
O Greenpeace UK alertou que um “boom descontrolado de IA” significaria contas de energia mais altas, mais pressão sobre o fornecimento de água e “uma nova tábua de salvação para combustíveis fósseis”.
Doug Parr, cientista-chefe do grupo de campanha, disse: “antes de sermos levados pelo entusiasmo dos bilionários da tecnologia cujos lucros dependem dessa expansão, devemos pausar e nos perguntar se vale a pena o preço”.
Parr acrescentou: “Precisamos de mais transparência sobre a quantidade de água e energia usada pelos centros de dados, avaliações adequadas de impacto ambiental e uma proibição de novas usinas poluentes sendo construídas para alimentar a IA”.
Microsoft opera maior centro de dados do mundo
Estima-se que existam agora cerca de 10 mil centros de dados em todo o mundo. Entre os maiores está o novo centro de dados Mount Pleasant da Microsoft em Wisconsin, com 1,2 milhão de pés quadrados (cerca de 111.500 metros quadrados). A empresa apresenta a instalação como a mais poderosa do mundo.
Os números da IDCA se alinham com estimativas recentes da Agência Internacional de Energia. A agência calculou que o uso de energia aumentou 17% em 2025, superando o crescimento da demanda global de eletricidade de 3%.
Serviços inativos desperdiçam 3GW nos EUA
A IDCA descobriu que 13% do consumo de centros de dados nos Estados Unidos vem de serviços “zumbi” não utilizados. São aplicativos em execução que nunca foram desligados, mas não são usados. Esse consumo desperdiçado totaliza mais de 3GW.
O relatório afirmou: “Esse tipo de ineficiência é presumido ser aparente em todo o mundo, com ineficiências aumentando à medida que a porcentagem de computação em nuvem aumenta”.
O relatório anual também destacou a nova ameaça militar aos centros de dados.
“Os ataques a centros de dados – agora vistos como infraestrutura crítica – no Oriente Médio chocaram operadores de centros de dados e clientes com o espectro de segurança física violada,” disse o documento. “A segurança cibernética agora está geminada com a segurança física como parte integrante de uma estratégia de segurança unificada e abrangente”.
Fonte: Giz_br


