terça-feira, 21 julho, 2026
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Metade das senhas pode ser hackeada em 1 minuto, diz estudo

Análise da Kaspersky indica um crescimento na vulnerabilidade das palavras-chave. Dados também revelam que 60% delas podem ser descobertas em até 1 hora.

Uma pesquisa feita pela Kaspersky descobriu que 48% das senhas já vazadas na internet podem ser descobertas por hackers em menos de um minuto. Além disso, a empresa de cibersegurança revelou outro dado que chama atenção: considerando um tempo maior para descobrir o código, de até uma hora, 60% das senhas usadas no mundo podem ser acessadas.

Segundo a análise, essa facilidade estaria relacionada à capacidade de processamento das placas de vídeo atuais, utilizadas por hackers para acelerar a quebra e decodificação de senhas.

Os resultados acendem um alerta importante de cibersegurança e reforçam a máxima: não dá mais para confiar apenas nas palavras-chave como recurso máximo de proteção para seus dados.

Para chegar nesses números, a Kaspersky analisou 231 milhões de códigos entre 2023 e 2026, e apenas 23% delas se mostraram seguras o suficiente, ou seja, dariam aos hackers um ano inteiro de trabalho para serem descobertas.

Placas de vídeo mais potentes aceleram quebra de senhas

estudo atribui esse aumento na vulnerabilidade ao avanço das placas de vídeo usadas nos testes. Na edição anterior, publicada em 2024, a análise utilizava a GeForce RTX 4090, da Nvidia. Agora, os pesquisadores adotaram a RTX 5090, cuja capacidade de quebrar o algoritmo MD5 cresceu 34%, atingindo 220 bilhões de hashes por segundo.

Nvidia GeForce RTX 5090 (Imagem: Divulgação)
Placas atuais com alto poder de processamento facilitam o trabalho dos hackers (imagem: divulgação)

Vale explicar que hash, no caso, é uma função matemática que transforma a sequência de carácteres formada pela sua senha em um novo padrão codificado. E, conforme explica um artigo da Avast, MD5 é o algoritmo que gera esses hashes no processo de criptografia. Ou seja: o processo reverso de leitura e compreensão dessas funções para chegar à sequência original ficou bem mais rápida com a placa mais recente.

Pode parecer algo simples de “resolver”: nem todo hacker teria acesso a uma GPU top de linha como essa, que sai a, pelo menos, R$ 21.999 no e-commerce nacional. Ainda assim, a Kaspersky reforça a facilidade com que se pode ter acesso a esse poder de processamento por meio de serviços na nuvem, com aluguel bem mais barato por um tempo curto de uso.

Na prática, isso reduz a barreira para ataques automatizados. Se menos de um minuto já seria suficiente para quebrar quase metade das senhas analisadas — e uma hora bastaria para atingir 60% delas —, não seria necessário investir diretamente em uma placa topo de linha para quebrar as senhas.

Outro ponto levantado foi o esforço feito durante um ataque: ao conseguir decodificar uma senha, alguns padrões utilizados pelo algoritmo MD5 podem se repetir em muitas outras, facilitando a vida do hacker que faz essas tentativas com um grande número de contas como alvo e até justificando o uso de um processamento tão poderoso de uma vez só.

Como proteger a minha senha?

Além do alerta em si, a Kaspersky explica quais fatores contribuem para a vulnerabilidade das senhas. Sequências criadas por humanos, por exemplo, são mais previsíveis e até mesmo aquelas feitas por meio de uma inteligência artificial generativa podem ser descobertas mais facilmente, já que é possível identificar traços humanos no processo criativo.

O fator mais determinante para dificultar a quebra na hora de decodificar foi o tamanho das senhas. Segundo a Kaspersky, 24 horas são suficientes para decifrar praticamente todas as sequências de oito caracteres, por exemplo.

Para reforçar a segurança das senhas, o estudo sugere:

  1. usar um gerenciador que crie sequências aleatórias;
  2. não anotar senhas em arquivos de texto;
  3. evitar o salvamento automático em navegadores;
  4. fazer atualizações periódicas automaticamente.

Esse último fator é, inclusive, determinante para uma segurança maior, chamado na pesquisa de “higiene digital”.

A principal dica, no entanto, é ativar recursos de autenticação em dois fatores, de preferência utilizando um aplicativo de autenticação como Google Authenticator, Authy e Yandex ID.

Apesar da possibilidade de fazer isso por códigos enviados via e-mail ou SMS, por exemplo, a dica é recorrer a esses apps, que geram sequências aleatórias e podem ficar disponíveis em todos os seus dispositivos.

Por: Yuri Hildebrand

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