sexta-feira, 24 abril, 2026
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EUA lançam plano para energia nuclear no espaço até 2028

Casa Branca anuncia plano para desenvolver reatores nucleares no espaço com testes a partir de 2028 e uso na Lua até 2030

A Casa Branca divulgou nesta terça-feira (14) uma nova diretriz para acelerar o desenvolvimento de energia nuclear no espaço, envolvendo a NASA, o Departamento de Defesa e o Departamento de Energia. A medida estabelece metas para criação de sistemas capazes de operar em órbita e na Lua, com previsão de primeiros lançamentos a partir de 2028.

O anúncio foi feito por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia (OSTP), durante o 41º Space Symposium. Segundo ele, a iniciativa busca viabilizar uma presença contínua de robôs e humanos na Lua, em Marte e além, por meio de soluções de energia e propulsão mais duradouras.

Plano define cronograma para reatores espaciais

documento, chamado NSTM-3, tem seis páginas e estabelece uma estratégia para o governo dos Estados Unidos desenvolver e implementar reatores nucleares no espaço. A proposta prevê competições paralelas entre a NASA e o Departamento de Defesa para acelerar projetos de diferentes níveis de potência.

A NASA terá até 30 dias para iniciar o desenvolvimento de um reator de potência intermediária, com capacidade mínima de 20 quilowatts, incluindo uma versão adaptada para operação na superfície lunar. O plano também considera sistemas menores, de até 1 quilowatt, caso apresentem menor custo e risco.

Dentro de um ano, a agência deverá selecionar no máximo dois projetos para avançar. A preferência será por tecnologias que possam ser ampliadas futuramente para 100 quilowatts ou mais. A meta é iniciar testes em órbita até 2028 e ter uma versão funcional na Lua por volta de 2030.

Integração entre agências e indústria

A política destaca que o sucesso depende de colaboração entre diferentes órgãos federais. O Departamento de Defesa deverá apresentar, em até 90 dias, um relatório sobre possíveis aplicações e cargas úteis para sistemas nucleares espaciais.

Inicialmente, o Pentágono vai apoiar financeiramente os projetos da NASA. Posteriormente, deve conduzir sua própria competição para desenvolvimento de tecnologias na área.

Já o Departamento de Energia ficará responsável por fornecer conhecimento técnico e avaliar, em até 60 dias, a capacidade da base industrial nuclear dos Estados Unidos. Também caberá ao órgão conduzir pesquisas independentes voltadas ao avanço dessas tecnologias.

Missão SR-1 Freedom já iniciou testes

Antes mesmo da nova política, a NASA já havia iniciado trabalhos relacionados ao tema. Em 24 de março, a agência anunciou a missão SR-1 Freedom, voltada à demonstração de propulsão elétrica nuclear com um reator de 20 quilowatts.

Segundo o administrador da NASA, Jared Isaacman, a missão deve estabelecer bases para o uso prático da tecnologia, incluindo precedentes regulatórios e industriais. Ele também destacou que a agência já investiu mais de US$ 20 bilhões em projetos nucleares ao longo de décadas, sem que nenhum tenha chegado a voar.

A nova diretriz busca mudar esse cenário, priorizando testes reais e aplicações práticas em missões de longa duração, incluindo operações na superfície lunar e futuras viagens a Marte.

Por: Ana Luiza Figueiredo

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