quinta-feira, 23 abril, 2026
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“Não há limites para o que podemos fazer.” Astronautas da Artemis II celebram “era de ouro” da era espacial antes do retorno

“Estamos vivendo a era de ouro da exploração espacial”, disse o comandante Wiseman, em coletiva. Missão de 10 dias circunavegou a Lua pela primeira vez com tripulação humana desde 1972 e encerra hoje com pouso no oceano Pacífico

A nave Orion, batizada de Integrity pelos próprios astronautas, se prepara para pousar no Oceano Pacífico nesta sexta-feira (10), encerrando a missão Artemis II da NASA, a primeira viagem tripulada além da órbita terrestre baixa desde a Apollo 17, em 1972, há mais de 50 anos. Com lançamento no dia 1º de abril, a missão de dez dias levou quatro astronautas ao redor da Lua e de volta: o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA).

Na véspera do retorno, a tripulação participou de uma coletiva ao vivo com membros do Congresso americano e não poupou entusiasmo. “Estamos vivendo a era de ouro da exploração espacial agora. Não há limites para o que podemos fazer”, disse o comandante Wiseman, segundo o The Guardian. O clima da sessão foi de celebração entre parlamentares de ambos os partidos.

Uma viagem histórica

A missão consistiu em um voo de teste tripulado ao redor da Lua, com o objetivo de avaliar como os sistemas da nave Orion operam em ambiente de espaço profundo. Durante os dez dias no espaço, a tripulação realizou testes manuais de pilotagem, avaliou os sistemas de suporte de vida, navegação e propulsão da nave, além de conduzir atividades científicas, incluindo fotografias de alta resolução da superfície lunar e estudos sobre saúde humana em microgravidade.

Durante o sobrevoo lunar na segunda-feira, a tripulação estabeleceu um novo recorde de distância percorrida por humanos no espaço: 252.756 milhas (cerca de 406 mil quilômetros) da Terra, superando a marca anterior registrada pela Apollo 13 em 1970.

Um dos momentos mais marcantes foi o eclipse solar total observado do interior da cápsula durante o sobrevoo lunar no dia 6 de abril. Com o Sol desaparecendo atrás da Lua, a tripulação pôde observar a coroa solar (a camada externa da atmosfera do Sol), além de poeira lunar iluminada e flashes de luz causados por meteoritos na superfície. A especialista Christina Koch disse que a visão “nos deixou sem palavras”.

O peso simbólico da missão

Entre os marcos humanos da expedição, destaca-se Victor Glover, que se tornou o primeiro homem negro a viajar além da órbita terrestre baixa. Na coletiva com o Congresso, ele destacou o valor coletivo da missão: “Não há nada que não possamos realizar quando unimos nossas diferenças e trabalhamos juntos por algo grande que beneficia a todos”, afirmou.

A congressista californiana Zoe Lofgren perguntou à tripulação o que esperava que o público levasse da expedição. Glover respondeu citando a linguagem dos “moonshots”, termo que, em inglês, se popularizou após a chegada do homem à Lua nos anos 1960 para descrever projetos ambiciosos e aparentemente impossíveis. “Espero que nos reconectemos ao momento em que fomos à Lua pela primeira vez e assumamos a responsabilidade por este ‘moonshot'”, disse.

O retorno e suas exigências técnicas

Na reentrada atmosférica, a Orion deve enfrentar uma janela de seis minutos de apagão de comunicações enquanto o plasma se forma ao redor da cápsula durante o aquecimento máximo, com a tripulação suportando até 3,9 vezes a força da gravidade terrestre. A cápsula entra na atmosfera a cerca de 40.000 km/h antes de ser desacelerada por um sistema sequencial de paraquedas.

O diretor de voo Jeff Radigan ressaltou a precisão exigida pela manobra: a equipe tem “menos de um grau de ângulo” para acertar a trajetória correta. O splashdown está previsto para as 20h07 (horário de Brasília), a alguns quilômetros da costa de San Diego, na Califórnia. O navio USS John P. Murtha aguarda no local para coordenar a recuperação, operação prevista para durar entre uma e duas horas.

O programa Artemis prevê enviar astronautas em missões cada vez mais desafiadoras, com o objetivo de estabelecer uma base lunar permanente e preparar o terreno para as primeiras missões tripuladas a Marte. A Artemis II não previa pouso na Lua: seu papel é validar os sistemas da Orion com humanos a bordo, algo que a missão Artemis I fez de forma não tripulada em 2022. A Artemis III, prevista para 2028, deverá ser a primeira a realizar o pouso lunar desde Apollo 17.

Após o splashdown desta sexta, a tripulação será transportada de helicóptero ao USS John P. Murtha para avaliações médicas antes de embarcar para o Centro Espacial Johnson, em Houston.

Foto: Divulgação / NASA

Fonte: Época Negócios

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