sábado, 25 abril, 2026
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Corrida da IA causa escassez de chips ‘sem precedentes’, diz fabricante

Falta de memória para IA drena produção de chips comuns, pressiona fábricas e deve deixar PCs e celulares mais caros em 2026; entenda

Micron, principal fornecedora da Nvidia, alertou que a escassez global de chips de memória acelerou no último trimestre e deve se estender para além de 2026. O avanço da infraestrutura de inteligência artificial (IA) criou cenário “sem precedentes”, no qual a demanda por componentes supera a capacidade de produção da indústria.

O impacto dessa crise atinge o planejamento de grandes fabricantes e o bolso do consumidor. Com o trio que domina o mercado mundial (Micron, Samsung e SK Hynix) operando com estoques esgotados para os próximos dois anos, empresas de PCs e smartphones já revisam suas metas de produção e preparam o terreno para aumentos de preços.

Avanço da IA canibaliza a produção de chips convencionais

A raiz do problema está na memória de alta largura de banda (HBM), peça fundamental para que sistemas de IA funcionem com velocidade máxima. O processo de fabricação é tão exigente que, para produzir um único bit dessa memória avançada, fábricas precisam sacrificar a produção de três bits da memória DRAM convencional, usada em notebooks e celulares. Na prática, linhas de montagem priorizam chips de IA, que são mais lucrativos, e deixam eletrônicos cotidianos no final da fila.

Com isso em mente, analistas preveem que os preços da memória RAM podem subir mais de 50% apenas neste primeiro trimestre de 2026. Gigantes como Dell e Apple já sinalizam que a escassez afetará o custo de fabricação. E a expectativa é que a memória passe a representar até 30% do valor final de um celular. Para você ter ideia, seria o triplo do padrão histórico. No mercado de componentes, o reflexo é: kits de memória que custavam US$ 300 (aproximadamente R$ 1,6 mil) há poucos meses já são encontrados por valores dez vezes maiores no varejo especializado.

A solução para esse desequilíbrio depende da construção de novas fábricas, mas o alívio não virá no curto prazo. A Micron iniciou as obras de uma megafábrica de US$ 100 bilhões (R$ 500 bilhões) em Nova York, mas os primeiros componentes só devem sair de lá em 2030. Enquanto novas unidades em Idaho, Virgínia e Taiwan não operarem em plena capacidade (o que está previsto para ocorrer entre 2027 e 2028), o mercado global enfrenta uma mudança estrutural: dispositivos do dia a dia agora competem por recursos com supercomputadores que movem a revolução e a corrida da IA.

(Essa matéria usou informações de Bloomberg e CNBC.)

Por: Pedro Spadoni

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