quinta-feira, 23 abril, 2026
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IA encontra fraqueza da mpox e abre caminho para novas vacinas

Pesquisadores dos EUA e Itália usaram modelo AlphaFold 3 para descobrir a proteína OPG153, que permite desenvolver imunizantes mais baratos e acessíveis.

Pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, nos EUA, em parceria com cientistas italianos, descobriram  com a ajuda de uma IA uma proteína específica do vírus da mpox que pode revolucionar a criação de vacinas mais simples e econômicas. A identificação da proteína OPG153 foi possível graças ao modelo de inteligência artificial AlphaFold 3.

A equipe internacional conseguiu isolar 12 anticorpos eficazes contra o MPXV em amostras de sangue de pessoas recuperadas da infecção ou vacinadas. Posteriormente, utilizaram a IA para determinar precisamente a qual das aproximadamente 35 proteínas de superfície do vírus esses anticorpos se ligavam. Conforme reportado pelo ScienceDaily, esta abordagem inovadora combina técnicas tradicionais de imunologia com os mais recentes avanços em inteligência artificial para acelerar a pesquisa de vacinas.

Esta descoberta representa um avanço importante no combate à doença. Isso porque as vacinas atuais contra a mpox utilizam vírus enfraquecidos, o que torna sua produção complexa e cara. A identificação da proteína OPG153 como alvo promissor abre caminho para o desenvolvimento de imunizantes mais acessíveis.

O professor Jason McLellan, da Universidade do Texas em Austin, liderou o estudo em colaboração com Rino Rappuoli e Emanuele Andreano da Fundação Biotecnopolo de Siena, na Itália. Os laboratórios de ambas as instituições foram palco das análises de amostras e testes confirmatórios.

Vacinologia reserva

Durante o recente surto de mpox, quase 500 pessoas perderam a vida. A doença manifesta sintomas que variam desde quadros semelhantes à gripe até erupções cutâneas dolorosas e lesões. Para proteger grupos de maior risco, autoridades de saúde recorreram a vacinas contra a varíola.

“Diferentemente de uma vacina de vírus inteiro, que é grande e complicada de produzir, nossa inovação é apenas uma única proteína que é fácil de fazer”, afirmou Jason McLellan, coautor principal do estudo.

McLellan, também titular da Cátedra Robert A. Welch em Química e um dos líderes do Texas Biologics, destacou a importância da tecnologia no processo. “Teria levado anos para encontrar este alvo sem a IA”, disse. “Foi realmente empolgante porque ninguém havia considerado isso antes para o desenvolvimento de vacinas ou anticorpos. Nunca havia sido demonstrado que era um alvo de anticorpos neutralizantes.”

O cientista descreve a metodologia utilizada como “vacinologia reversa”. “Começamos com pessoas que sobreviveram à infecção pelo vírus da mpox, isolamos anticorpos que eles produziram naturalmente e trabalhamos de trás para frente para encontrar qual parte do vírus atuou como antígeno para esses anticorpos. Então, projetamos o antígeno para provocar anticorpos semelhantes em camundongos”, explicou McLellan.

Atualmente, os pesquisadores estão refinando versões do antígeno e dos anticorpos que possam oferecer forte proteção. Assim, sendo mais fáceis e baratos de produzir que as opções existentes. Além disso, o objetivo é testar essas vacinas e tratamentos com anticorpos em pessoas para proteção contra a mpox e a varíola. Ainda não há previsão de quando as novas vacinas baseadas nesta descoberta estarão disponíveis para uso humano.

Fonte: Giz_Br

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