quinta-feira, 23 abril, 2026
HomeSAÚDEPausa de uma semana nas redes sociais reduz sintomas de ansiedade e...

Pausa de uma semana nas redes sociais reduz sintomas de ansiedade e depressão

Estudo com jovens adultos mostra que interrupção breve no uso de redes sociais pode trazer benefícios à saúde mental, como menos insônia e menos comparações negativas

Estudo publicado na revista JAMA Network Open indica que uma pausa de apenas uma semana nas redes sociais pode ter efeitos positivos mensuráveis na saúde mental de jovens adultos. A pesquisa acompanhou 295 pessoas entre 18 e 24 anos que voluntariamente reduziram significativamente seu uso de plataformas como Instagram, TikTok, X (antigo Twitter), Snapchat e Facebook, informa o jornal The New York Times.

Os participantes foram orientados a evitar as redes sociais o máximo possível. Em média, o tempo de uso caiu de quase duas horas por dia para apenas 30 minutos. Como resultado, os sintomas de ansiedade caíram 16,1%, os de depressão 24,8% e os de insônia 14,5%. Os efeitos foram mais notáveis em pessoas que já apresentavam níveis mais elevados de depressão antes do experimento.

Apesar da melhora geral, o nível de solidão relatado pelos participantes não mudou, o que pode indicar que, para alguns, as redes sociais ainda exercem papel positivo na manutenção de laços sociais.

Benefícios vêm mais da qualidade do uso do que da quantidade

Segundo os pesquisadores, a melhora na saúde mental parece estar mais associada à redução de comportamentos problemáticos, como o uso compulsivo e a comparação social negativa, do que propriamente ao tempo total de tela. Curiosamente, muitos participantes até passaram mais tempo no celular durante a pausa, mas em outros tipos de atividades.

Apesar dos resultados animadores, é preciso ter cautela na interpretação. A pesquisa não foi um estudo clínico randomizado com grupo de controle. Todos os participantes se inscreveram voluntariamente e sabiam o objetivo do experimento, o que pode ter influenciado as respostas. “Esses números são literalmente irrelevantes sem comparação com um grupo controle”, afirmou Christopher Ferguson, professor de psicologia da Stetson University, ao The New York Times.

Outros estudos anteriores apresentaram resultados contraditórios sobre os efeitos dos chamados “detox digitais”, e metanálises recentes apontam que os benefícios são pequenos ou inexistentes.

Cautela com proibições e otimismo moderado

Para o psiquiatra John Torous, um dos autores do estudo e professor em Harvard, o detox digital não deve ser visto como substituto de tratamento médico, mas sim como um complemento. Ele defende abordagens personalizadas, adaptadas a cada paciente, em vez de proibições amplas: “Banir redes sociais é um caminho muito bruto, com potencial para causar efeitos colaterais indesejados”.

Jean Twenge, professora da San Diego State University, destacou que o estudo reforça que jovens com depressão tendem a se beneficiar mais de interrupções breves no uso das plataformas. No entanto, ela alerta para a importância de investigar se os efeitos são duradouros: “Se voltarem aos velhos hábitos, os benefícios podem desaparecer rapidamente”.

Por: Diogo Rodriguez

RECOMENDADOS

MAIS POPULAR