segunda-feira, 27 abril, 2026
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Chefão da NASA admite: meta de pousar na Lua em 2027 não é mais viável

Atrasos da SpaceX e disputa interna nos EUA abrem nova corrida entre empresas americanas para definir quem levará o país de volta ao satélite antes da China

O plano dos Estados Unidos de voltar à Lua está em risco. Em entrevistas concedidas na segunda-feira (21), Sean Duffy, administrador interino da NASA, disse que a SpaceX, empresa espacial de Elon Musk, está atrasada no desenvolvimento do Starship, o veículo que deveria servir como módulo lunar.

Além disso, reconheceu que a meta projetada pela agência espacial americana de realizar um pouso tripulado em 2027 como parte do programa Artemis não é mais viável. Diante deste cenário, ele anunciou que pretende reabrir a concorrência para o desenvolvimento de um novo módulo de pouso capaz de levar astronautas da órbita lunar até a superfície e de volta.

“Eles estão atrasados, e o presidente quer garantir que superemos os chineses”, disse Duffy sobre a SpaceX, citado pelo Ars Technica. “Ele quer que cheguemos lá durante o mandato dele. Então estou abrindo novamente esse contrato. Acho que veremos empresas como a Blue [Origin] se envolverem, e talvez outras. Vamos ter uma nova corrida espacial entre companhias americanas para ver quem nos leva de volta à Lua primeiro.”

A SpaceX havia conquistado em 2021 um contrato de US$ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 15,6 bilhões na cotação atual) da NASA para desenvolver e adaptar o Starship como um sistema de pouso humano. Ele funcionaria em conjunto com o Space Launch System (SLS) e a nave Orion para transportar humanos até a Lua.

Mas a empresa, como destaca o Ars Technica, ainda precisa superar vários desafios técnicos, incluindo o reabastecimento em órbita, algo que nunca foi feito em larga escala.

Em resposta à Duffy, Musk escreveu no X: “A SpaceX está se movendo como um raio em comparação com o resto da indústria espacial. Além disso, o Starship acabará realizando toda a missão lunar. Pode anotar”.

Outras opções

A Blue Origin, de Jeff Bezos, pode ser uma solução para a NASA. A companhia, com a qual a agência já tem um contrato anterior no valor de US$ 3,4 bilhões (R$ 18,3 bilhões), está trabalhando no desenvolvimento de múltiplos módulos Mk 1, um veículo menor, originalmente projetado apenas para carga. Ele dispensa o reabastecimento em órbita, e deve realizar seu primeiro voo no início do próximo ano.

Outras empresas, como indicou Duffy, podem entrar na briga. Fontes afirmam que executivos dessas empresas disseram recentemente ao administrador interino da NASA e Pete Meachum, chefe de gabinete do Departamento de Transportes, que poderiam construir um módulo de pouso semelhante ao Módulo Lunar da Apollo em até 30 meses.

Em comunicado ao Ars Technica, Bob Behnken, vice-presidente de Exploração e Estratégia Tecnológica da Lockheed Martin Space, confirmou o interesse.

“Ao longo deste ano, realizamos análises técnicas e programáticas significativas sobre pousadores lunares tripulados que possam oferecer à NASA opções seguras para o retorno humano à Lua o mais rápido possível”, apontou ele. “Trabalhamos com uma equipe intersetorial e esperamos atender à solicitação do secretário Duffy para cumprir os objetivos lunares do país.”

Apesar das sinalizações de outras companhias, a NASA não pode romper os contratos atuais com a SpaceX e a Blue Origin. E Duffy terá de buscar novos fundos no Congresso, e isso custará caro. Uma análise de 2017 da própria agência espacial dos Estados Unidos estimou que um módulo lunar desenvolvido sob um contrato de custo acrescido (“cost-plus”) custaria entre US$ 20 bilhões (R$ 107,7 bilhões) e 30 bilhões (R$ 161,6 bilhões).

Disputa política

Os comentários de Duffy também tiveram eco político. Nomeado interinamente como administrador da NASA por Donald Trump em julho, ele passou a ganhar destaque público com aparições em redes de TV.

Essa ofensiva midiática seria, segundo analistas, uma tentativa de mostrar resultados e segurar o posto. Mas um conselheiro republicano ouvido pelo site Ars Technica afirmou que, embora Duffy esteja “finalmente buscando soluções criativas” para garantir o retorno à Lua, o que Trump quer é dominar a indústria espacial comercial, e não distribuir contratos bilionários de custo acrescido.

“Duffy não implementou nenhuma das reformas estratégicas do programa Artemis propostas pelo presidente nesta primavera”, afirmou a fonte. “Ele tem uma oportunidade perfeita durante a paralisação atual, mas não há sinais de reformas reais sob sua liderança. Em vez disso, Duffy está sendo cooptado pelo deep state da NASA.”

Por: Renata Turbiani

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