Segundo previsão do Gartner, até 2028, 30% das grandes organizações globais incluirão a sustentabilidade de software em requisitos não funcionais; uma das grandes barreiras para a prática é a educação e conscientização
A busca pelo aumento da eficiência operacional e competitividade, além do melhor atendimento a um consumidor cada vez mais ativo no ambiente online, impulsiona o constante crescimento de iniciativas digitais nas empresas. Como resultado, aumenta a demanda por software e aplicações inteligentes como a IA generativa.
Simultaneamente, os CEOs acabam às voltas com um desafio latente: como manter a sua meta de digitalização, mas também manter a sua meta de sustentabilidade. Isso porque quanto mais software e aplicações de IA, maior o consumo de energia e a pegada de carbono — sistemas de software causam emissões por meio do hardware em que operam, tanto pela energia consumida pelo hardware físico quanto pelas emissões associadas à fabricação do hardware.
Para resolver esse conflito, a engenharia de software verde tem sido considerada uma tendência a despontar globalmente nos próximos anos. Ou seja, o desenvolvimento de um software sustentável que minimize o impacto ambiental ao longo de todo seu ciclo de vida – desde o seu planejamento e construção até a sua implementação. Isso abrange desde a escolha de tecnologias e infraestruturas com menor consumo energético até a otimização de algoritmos para reduzir o uso de recursos computacionais.
Segundo previsão do Gartner, até 2028, 30% das grandes organizações globais incluirão a sustentabilidade de software em requisitos não funcionais (aqueles que descrevem não o que o sistema fará, mas como ele fará), contra menos de 10% em 2024. A adoção massificada é projetada para daqui quatro a cinco anos, quando a engenharia de software verde sai do abismo e começa de fato a ser utilizada.
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“Por ser uma tendência nova ainda, as organizações também entendem a engenharia de software verde como uma vantagem competitiva para a inovação, para estar na vanguarda. Então, eu tenho a chance até de fazer alguma disrupção mais na frente do que outros que não tenham essa preocupação com a sustentabilidade”, afirma Volmar Segundo, Conselheiro Executivo Sênior do Gartner.
Ele enfatiza que uma das grandes barreiras para a prática da engenharia de software verde é a educação e conscientização. De acordo com o executivo, essa é uma estratégia que deve estar na agenda dos líderes, incentivando todo o time (da tecnologia ao negócio) a pensar nisso desde já.
De olho no software verde
Em 2021, Accenture, GitHub, Microsoft e ThoughtWorks lançaram a organização sem fins lucrativos Green Software Foundation com a Linux Foundation com a missão de criar um ecossistema confiável de pessoas, padrões, ferramentas e práticas recomendadas para a criação de software verde e reduzir a variação total das emissões globais de carbono associadas ao software. Atualmente, 68 empresas e mais de mil pessoas fazem parte da iniciativa.
Paull Young, Head de Sustentabilidade no GitHub, ressalta que a companhia está em sintonia com a Microsoft no compromisso de construir um futuro mais sustentável, o que inclui investir em pesquisas para medir o consumo de energia e o impacto de carbono da IA, além de desenvolver formas de tornar grandes sistemas mais eficientes, tanto no treinamento quanto na aplicação. Entre as iniciativas da empresa de olho nessa tendência está o Green Software Directory, que inclui uma lista abrangente de ferramentas de software verde a partir de repositórios no GitHub.
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“Alguns dos repositórios mais populares que podem ajudar a programar de forma sustentável incluem o Carbon Aware SDK, um conjunto de ferramentas que ajuda desenvolvedores a medirem as emissões de carbono do software, reduzirem as emissões de seus programas e escolher quando e onde executar suas aplicações para torná-las mais ecológicas. Outro exemplo é o Carbontracker, uma ferramenta que monitora e prevê o consumo de energia e a pegada de carbono do treinamento de modelos de deep learning”, exemplifica.
Além dessa iniciativa, a companhia apoia projetos com impacto climático positivo no GitHub, como o Plano de Ação Climática para Desenvolvedores. Atualmente, há mais de 60 mil projetos voltados para o clima na plataforma.
Outra empresa de olho no software verde é a Salesforce. Em 2023, a companhia lançou o ‘Green Code’, iniciativa para ajudar os profissionais de tecnologia a reduzir as emissões de carbono associadas ao ciclo de vida do desenvolvimento de software.
O projeto fornece práticas sustentáveis recomendadas para UX designers, desenvolvedores, arquitetos de sistemas e gestores de operações de TI, abrangendo desde o design e a arquitetura até o desenvolvimento e operações, com o objetivo de integrar a sustentabilidade no código e promover um futuro com zero emissões líquidas.
Por: Fabiana Rolfini


