quinta-feira, 23 abril, 2026
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Japão inaugura 2ª usina do mundo que transforma o encontro entre rio e mar em energia limpa

Conhecida como energia osmótica, a tecnologia converte o contraste de salinidade em eletricidade contínua e pode se tornar alternativa aos combustíveis fósseis

O Japão se tornou o segundo país do mundo a investir em energia osmótica, que utiliza a diferença de salinidade entre a água do mar e a água doce para gerar eletricidade. No início deste agosto, autoridades japonesas inauguraram a primeira usina de do tipo na cidade de Fukuoka, a oeste de Tóquio.

Conforme relatado pela mídia local NHK, a expectativa é que a instalação gere cerca de 880.000 quilowatts-hora de eletricidade por ano, o suficiente para abastecer aproximadamente 290 residências médias.

As usinas de energia osmótica funcionam através de um processo natural chamado osmose. Nesses locais, uma membrana especial separa as camadas de água doce e água do mar, com esta última levemente pressurizada.

À medida que a pressão do lado com água do mar aumenta e a salinidade diminui, parte da água é canalizada através de uma turbina conectada a um gerador, produzindo energia.

“Ao contrário da geração de energia solar, é possível gerar energia 24 horas por dia e ela tem o potencial de ser uma fonte de energia estável. Se conseguirmos gerar energia em todo o Japão usando água do mar comum, acredito que seria extremamente significativo, pois contribuiria para o combate ao aquecimento global”, disse Kenji Hirokawa, diretor do Centro de Dessalinização de Água do Mar da Agência de Água do Distrito de Fukuoka, que opera a usina, à NHK.

Alternativa aos combustíveis fósseis

Esse tipo de energia é uma alternativa natural e de baixo risco aos combustíveis fósseis, mas ainda não avançou devido a desafios técnicos. Sandra Kentish, engenheira química da Universidade de Melbourne, na Austrália, disse ao The Guardian que muita energia é perdida durante o bombeamento de água para a usina e quando ela passa pelas membranas.

“Embora a energia seja liberada quando a água salgada é misturada com água doce, muita energia é perdida no bombeamento dos dois fluxos para a usina e devido à perda por atrito nas membranas. Isso significa que a energia líquida que pode ser obtida é pequena”, explicou.

Mas Kentish acrescentou que avanços na tecnologia de membranas e bombas estão reduzindo esses problemas. “Também é digno de nota que a usina japonesa usa água do mar concentrada, a salmoura restante após a remoção da água doce em uma usina de dessalinização, como alimentação, o que aumenta a diferença nas concentrações de sal e, portanto, a energia disponível”, finalizou.

Por: Renata Turbiani

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