Em meio ao avanço das tecnologias e à crescente busca por competitividade no mercado, negócios inovadores têm voltado os olhos para uma fonte estratégica de financiamento: os recursos públicos destinados à pesquisa, desenvolvimento e inovação. Com programas nacionais que envolvem desde linhas de crédito com juros subsidiados até incentivos fiscais, captar esses recursos pode representar a diferença entre a estagnação e o crescimento.
Apesar das oportunidades, muitas empresas enfrentam dificuldades para acessar esses mecanismos de fomento, seja pela complexidade dos editais, pela falta de estrutura técnica ou pela burocracia envolvida nos processos. Foi para enfrentar esse desafio que surgiu a Consultoria Conecta, movida pelo propósito de conectar empresas inovadoras aos diversos recursos disponíveis no país.
Localizada em Mato Grosso, a Conecta atua como ponte entre empreendedores visionários e fontes de financiamento. Marcus Taques, um dos fundadores da Consultoria, conta que a ideia surgiu a partir de uma tentativa frustrada de captar recursos para um empreendimento. A experiência evidenciou a ausência de caminhos claros e acessíveis para empresas em busca de apoio financeiro, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.
Segundo ele, ficou evidente a lacuna de atuação nesses territórios, ao contrário do Sul e Sudeste, onde já existiam iniciativas consolidadas. “Queríamos trazer recursos para inovação, subsídios, juros reduzidos ou linhas específicas, e tornar isso acessível para as empresas. Foi a partir dessa necessidade que estruturamos a Conecta.”
A consultoria nasceu com foco em médias e grandes empresas, priorizando a captação de recursos via Finep, BNDES e outros instrumentos de fomento à inovação. Com o tempo, no entanto, a equipe percebeu um desafio ainda mais profundo: muitas organizações sequer tinham conhecimento da existência dessas linhas de crédito. O problema, segundo Taques, não está apenas no acesso aos recursos, mas na falta de comunicação entre quem oferta e quem precisa.
“Muitas empresas não reconhecem que o que fazem já é inovação. Existe uma percepção distorcida de que inovação precisa ser algo revolucionário, disruptivo, quando, na prática, pequenas melhorias em processos ou produtos já podem ser enquadradas como tal”, explica. Essa lacuna entre o discurso técnico e a linguagem do mercado tem sido um dos focos da Conecta, que busca traduzir o universo da inovação para a realidade de cada cliente.
Com base nessas demandas, a consultoria passou a abrir novas frentes. Um dos destaques é o trabalho com a Lei do Bem, um dos principais instrumentos de incentivo fiscal à inovação no Brasil. Em vigor há duas décadas, a legislação ainda é subutilizada em muitos estados. “Para se ter uma ideia, em todo o Mato Grosso há pouco mais de 40 projetos cadastrados. É muito pouco, considerando o potencial produtivo e tecnológico da região”, afirma Taques.
Além das empresas privadas, a Conecta também passou a atuar junto a instituições de ciência e tecnologia (ICTs). Muitas delas enfrentam obstáculos técnicos e estruturais para acessar editais de subvenção econômica, que são recursos públicos não reembolsáveis voltados a projetos de pesquisa aplicada e inovação. “Vimos que, mesmo com boas ideias, muitas ICTs não conseguiam captar. Faltava um apoio estratégico desde a modelagem do projeto até a submissão”, destaca.

Diante desse cenário, a consultoria criou um braço de atendimento institucional, com foco em universidades, institutos de pesquisa e centros tecnológicos. Atualmente, a Conecta já atua com diversas instituições em Mato Grosso.
No entanto, para acessar esses recursos, não basta apresentar uma proposta genérica. É necessário enquadrar o projeto como inovação, o que exige conhecimento técnico e alinhamento com os critérios dos órgãos de fomento. É justamente nesse ponto que a Conecta atua: ajudando empresas a validar e moldar seus projetos para que sejam reconhecidos como inovadores e, assim, tenham acesso ao financiamento adequado.
Além dos desafios enfrentados pelas empresas, até mesmo bancos repassadores ainda estão em fase de adaptação às linhas de financiamento voltadas à inovação. Muitas instituições financeiras não contam com equipes técnicas capacitadas para atuar nesse segmento. Nesse contexto, o papel da consultoria se torna ainda mais relevante, atuando desde a concepção do projeto até sua execução e entrega final.
Hoje, a sua atuação já se estende por oito estados brasileiros e o Distrito Federal, com expansão prevista para Rondônia e Acre. Entre os clientes institucionais atendidos estão nomes como Senai, Aprosoja, Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), universidades católicas, Fundação Rio Verde, entre outros. “São instituições que operavam exclusivamente com verba própria e nunca haviam acessado recursos externos, mesmo existindo programas expressivos de apoio à ciência e tecnologia”, ressalta Taques.
Com atuação nacional, a consultoria já desenvolveu projetos para empresas com faturamento de R$ 300 mil até grandes grupos econômicos, atendendo setores como usinas, cooperativas e equipamentos hospitalares. E, em muitos casos, o cenário se repete: o empresário sequer sabia da existência de recursos disponíveis para inovação em empresas privadas. “Isso mostra como ainda há um caminho importante a ser percorrido na comunicação dessas oportunidades”, reforça Taques.
Para ampliar o alcance da atuação, a equipe já se movimenta em novas frentes. Um dos próximos passos será a realização de um evento voltado à inovação, fomento público e conexão entre empresas, ICTs e investidores. A proposta é gerar visibilidade, fomentar o ecossistema local e nacional e contribuir para um ambiente em que mais ideias saiam do papel com o apoio de políticas públicas de estímulo à inovação.
Agora, a Conecta também integra a ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), ao hub de inovação Green Hub e ao programa Green Up, em Mato Grosso, fortalecendo ainda mais sua presença no ecossistema de inovação.








