sexta-feira, 24 abril, 2026
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Cientistas criam “tijolo vivo” biofabricado para construções em Marte

Além de construções, os cientistas afirmam que o biomaterial pode criar móveis usando apenas os recursos de Marte.

Para viabilizar moradias em Marte, cientistas norte-americanos desenvolveram um material biofabricado para construções autônomas no Planeta Vermelho.

A iniciativa faz parte do programa Innovative Advanced Concepts, da NASA, que visa reduzir a dependência de materiais da Terra em futuras missões tripuladas para Marte. Desse modo, cientistas da Universidade A&M, no Texas, criaram um sistema de líquens sintéticos que pode transformar a poeira de Marte em materiais para construções.

No fim de junho, os cientistas publicaram um estudo detalhando como o material biofabricado não precisa de intervenção humana para realizar construções em Marte.

A inovação usou a biotecnologia para transformar líquens em “tijolos vivos”. Líquens são organismos que surgem da simbiose entre fungos e bactérias, ou algas e cianobactérias, que habitam diversos ambientes.

A capacidade dos líquens de suportar as extremas condições de Marte já foi foco de diversos estudos, mas sua função em viabilizar construções é uma novidade.

De acordo com o estudo, o material biofabricado usando comunidades de fungos e bactérias pode ir além das construções de abrigos. Os cientistas ressaltam que os astronautas em futuras missões em Marte poderão usar os “tijolos vivos” para criar móveis.

Como seriam as construções em Marte com o material biofabricado?

As construções, segundo o estudo, usariam uma impressora 3D para criar comunidades sintéticas que “imitam o comportamento de líquens naturais”. A energia do Sol e os recursos do solo de Marte seriam os únicos recursos necessários para construções usando o material biofabricado.

Congrui Grace Jin, principal autora do estudo, afirma que os biomateriais conseguem transformar as partículas dos regolitos de Marte em estruturas. “Assim, podemos transformar essas estruturas em abrigos ou outros objetos via impressão 3D”, diz a cientista.

Jin ressalta que, diferentemente de outros métodos que unem regolitos, os “tijolos vivos” são totalmente autônomos após a junção de filamentos de fungos e cianobactérias.

Com isso, o líquen absorve CO2 e nitrogênio, produzindo oxigênio e nutrientes para sustentar os fungos, que, por sua vez, mineralizam e formam estruturas sólidas usando a poeira de Marte.

A abordagem é similar ao ecossistema natural de líquens, mas os cientistas usaram a bioengenharia para aprimorar a eficiência e a resistência em ambientes extremos. Além disso, o material biofabricado não precisa de outros nutrientes ou manutenção regular, ampliando o número de construções possíveis em Marte.

Os cientistas querem tornar a técnica ainda menos dependente de recursos terrestres. Por isso, a próxima fase da pesquisa, já em andamento, é a criação de uma tinta biofabricada com base nos regolitos de Marte para impressão 3D fora da Terra.

Por: Pablo Nogueira

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