Empresa também diminuiu em 40% o tempo de resposta a falhas, economizando até 12% em custos de manutenção com a tecnologia desenvolvida em parceria com a Myriota
Empresas do setor de óleo e gás com operações situadas em regiões remotas enfrentam desafios crescentes em relação à falta de conectividade. Sem a cobertura de redes de internet, o monitoramento de ativos em campos petrolíferos acaba sendo limitado.
Foi diante dessa dificuldade que a argentina Edge, fabricante de equipamentos eletrônicos industriais para o segmento de petróleo e gás, decidiu, no início de 2025, investir na comunicação via satélite.
Em parceria com a australiana Myriota, a companhia desenvolveu uma plataforma de Internet das Coisas (IoT) completa que une seu hardware coletor de dados de sensores de campo, junto com módulos satelitais da Myriota, que enviam esses dados direto pra nuvem para o processamento das informações coletadas.
Segundo explica Amadeo Sasia, sócio fundador da Edge, antes da implementação da solução, o monitoramento de ativos nos campos petrolíferos dos clientes era limitado e altamente dependente de visitas técnicas presenciais.
“As equipes de campo precisavam percorrer centenas de quilômetros para realizar inspeções manuais, muitas vezes sem saber previamente se havia falhas ou problemas a serem resolvidos”, diz ele. “A falta de conectividade nessas áreas remotas também dificultava o uso de ferramentas digitais e impedia qualquer supervisão”, acrescenta.
Sasia ressalta que a solução foi desenvolvida para ampliar a visibilidade e o controle operacional em áreas remotas, onde a conectividade convencional é limitada. Além da Argentina e Brasil, a Edge atua na digitalização de campos petrolíferos na Bolívia, Colômbia e Kuwait. São mais de 100 poços monitorados com tecnologia satelital só na Argentina, enquanto no Brasil, mais de 20 poços, entre as regiões de Natal e Maceió, contam com a tecnologia.
Informações sobre exploração, perfuração e armazenamento são então processadas e disponibilizadas em um painel online, onde os operadores podem acompanhar variáveis em tempo real, ajustar parâmetros operacionais e receber alertas de falhas.
Mais eficiência e menos tempo de resposta a falhas
Desde que adotou o monitoramento de ativos via satélite, a Edge observou avanços significativos tanto em eficiência operacional quanto em sustentabilidade. Com a adoção de manutenção preditiva baseada em dados remotos, houve uma redução de 50% no downtime não planejado — período em que um sistema ou máquina não está funcionando corretamente ou disponível para o uso.
A empresa também conseguiu diminuir em 40% o tempo de resposta a falhas. Como consequência, economizou até 12% em custos de manutenção, além de 32% menos ativos fora de operação. Ademais, a Edge registrou aumento de 60% no número de poços e equipamentos monitorados por dia, viabilizado pelo acesso remoto via dashboard e aplicativo móvel.
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“Na prática, a visibilidade remota passou a permitir que as equipes recebessem alertas sobre oscilações anormais de pressão ou temperatura, ou falhas em bombas, possibilitando ajustes à distância e a mobilização antecipada das equipes técnicas. Antes, esses problemas só eram detectados durante inspeções presenciais, o que aumentava o tempo de resposta e o risco de interrupções operacionais”, afirma Sasia.
Ainda de acordo com o executivo, a centralização das informações em um painel online único ainda tornou possível a tomada de decisões com base em dados constantemente atualizados, otimizando rotas de manutenção, uso de recursos e priorização de ativos críticos.
Como a plataforma foi desenvolvida com uma arquitetura flexível, pode ser adaptada a diferentes tipos de sensores, ativos e cenários operacionais. Segundo Sasia, isso abre espaço para possíveis expansões no futuro, conforme as necessidades operacionais evoluam.
Por Fabiana Rolfini


