quinta-feira, 23 abril, 2026
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Empresa prometia IA revolucionária, mas eram 700 humanos trabalhando

A Builder.ai prometia revolucionar a criação de aplicativos com IA, mas decretou falência após a farsa ser descoberta

inteligência artificial está na moda. Por conta disso, diversas startups têm investido de forma pesada na tecnologia para os mais diversos propósitos. No entanto, nem todas são, de fato, o que dizem ou parecem ser.

A Builder.ai, por exemplo, prometia revolucionar a criação de aplicativos com IA. O problema é que seu sistema de redes neurais era, na verdade, composto por uma equipe de 700 engenheiros humanos. A revelação da fraude fez com que a companhia decretasse falência.

Companhia sustentou a mentira sobre o uso da IA por oito anos

  • A startup de Londres era avaliada em US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,5 bilhões).
  • Ela, inclusive, recebia investimentos de grandes empresas, como a Microsoft.
  • No entanto, todos os seus financiadores também estavam sendo enganados.
  • A companhia sustentou a mentira por oito anos.
  • Durante o período, usou o trabalho de humanos para entregar os serviços supostamente feitos pela IA revolucionária.

Investigações descobriram o esquema fraudulento

A plataforma “Natasha” foi anunciada como uma assistente de IA capaz de projetar e programar apps em tempo recorde. Investigações, no entanto, revelaram que os pedidos dos clientes eram repassados a desenvolvedores humanos, que escreviam código sem o uso de inteligência artificial.

O fundador e então CEO da Builder.ia, Sachin Dev Duggal, deixou o cargo em fevereiro de 2025, pouco antes do colapso da empresa. Seu sucessor, Manpreet Ratia, relatou que o negócio se tornou insustentável após credores retirarem US$ 37 milhões de suas contas.

A Builder.ai ainda enfrentou denúncias de manipulação contábil, com um faturamento real em 2024 quatro vezes menor que o anunciado. A crise fez com que cerca de mil funcionários fossem demitidos e os serviços da companhia foram totalmente paralisados.

O caso acende um alerta sobre os riscos relacionados ao mercado de inteligência artificial. Este pode não ser um caso isolado, representando um grande desafio para investidores, reguladores e consumidores da tecnologia.

Por: Alessandro Di Lorenzo

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