quinta-feira, 23 abril, 2026
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Além das praias: Ceará é destaque em energia eólica e solar

Fortaleza, em especial, tem se tornado um polo de inovação com diversas startups e incubadoras com projetos relevantes no Brasil e no mundo

O Nordeste vai muito além das praias. Além de ser líder em turismo, a região também se destaca em inovação, movimentando a economia do país. A pesquisa “O papel da Finep na retomada dos investimentos em pesquisa científica tecnológica no Brasil”, obtida com exclusividade pela Época NEGÓCIOS, aponta que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) investiu R$ 743 milhões em pesquisa científica e tecnológica no Nordeste de 2023 a 2024. Desse montante, 20% foram destinados a projetos de Pernambuco, 19% da Paraíba, 16% da Bahia e 15% do Ceará.

Entre os projetos apoiados pela agência financiadora, está o radiotelescópio Bingo, desenvolvido em cooperação com a China para mapear a energia escura do universo por meio da emissão de hidrogênio neutro. O equipamento será instalado na Serra do Urubu, em Aguiar, na Paraíba, e contará com apoio de instituições de pesquisa locais, como a Universidade Federal de Campina Grande.

No Ceará, o avanço em inovação também é reflexo do bom desempenho das escolas públicas do estado. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2023, divulgado pelo Ministério da Educação, a rede estadual cearense tem 22 escolas de Ensino Médio entre as 100 melhores públicas do Brasil. A Escola Família Agrícola Padre Eliésio dos Santos, em Ipueiras, no Sertão dos Crateús, por exemplo, é considerada a melhor unidade estadual do país.

O Ceará é o 14º estado no ranking geral do Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID) 2024, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), e o terceiro da região no Nordeste, atrás do Rio de Grande do Norte e de Pernambuco. Em uma década (2014 – 2024), o Ceará subiu uma posição no ranking geral.

“O Ceará ganhou posições em quesitos como inovação e conhecimentos relacionados à tecnologia. O estado ficou em 6º lugar em sustentabilidade, 7º em difusão tecnológica e 10º em patentes verdes. No entanto, o estado perdeu em ambiente institucional e regulatório, tecnologias da informação e comunicação, infraestrutura geral e oferta de força de trabalho qualificada”, explica Rodrigo Ventura, economista-chefe do instituto.

Na avaliação do especialista, Fortaleza, em especial, tem se tornado um polo de inovação com diversas startups e incubadoras com projetos em destaque no Brasil e no mundo, principalmente na área de energia solar e eólica. O principal estímulo vem da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), o Ceará concentra 2,4% das startups do país, com foco nas áreas de software, e-commerce, comunicação, finanças e meio ambiente/projetos sociais. “Iniciativas locais de apoio e o crescimento de hubs de inovação têm sido fundamentais para fomentar o empreendedorismo e atrair investidores”, diz Mariane Takahashi, CEO da Abstartups.

Outro destaque da região é o Porto de Pecém, considerado um dos mais modernos do mundo. “Isso representa uma oportunidade de investimento em infraestrutura logística na região”, afirma Ventura, do Inpi.

Festival de cultura pop

Sana, maior festival de cultura geek e de cultura pop do Norte e Nordeste — Foto: Patrícia Basilio

Para atender um público com sede de conhecimento, inovação e cultura, a capital cearense sedia o maior festival geek e pop do Norte e Nordeste do Brasil: o Sana. Em 2025, o evento ocorreu entre os dias 24 e 26 de janeiro.

A conferência, organizada duas vezes por ano pela Fundação Cultural Nipônica Brasileira (FCNB) recebe cerca de 150 mil visitantes anualmente – a maioria deles jovens de escolas públicas da região que recebem o ingresso gratuitamente por meio de um projeto com a Prefeitura de Fortaleza. Na primeira edição deste ano, a estimativa é de que 80 mil pessoas passaram pelo evento.

André Albuquerque, do Instituto Robótica Sustentável — Foto: Patrícia Basilio

O professor universitário André Cardoso Albuquerque é um dos expositores da feira. Presidente do Instituto Robótica Sustentável, ONG com sede em Fortaleza, o biólogo produz robôs a partir de eletrônicos recicláveis, para mostrar aos jovens a importância do destino correto desses resíduos.

“A gente coleta resíduo eletroeletrônico das pessoas e de empresas, leva para os nossos galpões e depois para as escolas. O que não usamos em laboratório, destinamos à reciclagem. Quando a pessoa doa para a gente, é certeza que vai impactar a sociedade”, diz Albuquerque.

Em 2023, o instituto calcula ter reciclado 12 toneladas de resíduos eletrônicos e beneficiado 2 mil crianças. No ano passado, a estimativa é que os resíduos tenham levado educação e tecnologia a três vezes mais estudantes de Fortaleza – cerca de 6 mil.

Para Daniel Braga, diretor do Sana, o Ceará enfrenta muitos desafios, como qualquer outro estado do país, mas tem um potencial muito grande em tecnologia e inovação e pode servir como benchmark, principalmente no setor de eventos. “O perfil dos participantes daqui é muito mais jovem do que o de São Paulo. Por isso, nosso público pode antecipar o que que vai acontecer nas feiras do Sudeste no futuro”, afirma.

Por Patrícia Basilio — Fortaleza, a jornalista viajou a convite do Sana 2025

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