Após um acidente em 2022, a Blue Origin, empresa de lançamento de foguetes do bilionário Jeff Bezos, vai retomar a operação de seu veículo suborbital ainda neste mês de dezembro. Segundo anúncio feito pela empresa, o voo em 18 de dezembro não será tripulado e vai levar 33 experimentos científicos e 38 mil cartões postais de uma ONG voltada para educação.
A missão NS-24 será a primeira do foguete New Shepard desde setembro de 2022. Neste último, um problema com o motor principal do veículo acionou o sistema de segurança que ejeta a capsula do propulsor em pouco mais de um minuto de voo. O veículo não estava tripulado, e pousou em segurança com a carga que levaria à borda do espaço.
Em março, a empresa afirmou que concluiu sua investigação sobre o acidente e que o motor BE-3PM havia sofrido uma falha estrutural em sua tubeira, parte mais externa do motor por onde os gases são expelidos. Danos térmicos causados por temperaturas operacionais superiores às projetadas foram a principal causa.
Mas, como as investigações passam pela Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês), a Anac norte-americana, seis meses se passaram entre o último voo e a liberação para decolar novamente. O órgão regulador indicou pelo menos 21 ações corretivas a serem tomadas para que a empresa pudesse voar de novo.
As investigações foram concluídas em 26 de setembro, mas em junho, o então presidente-executivo da Blue Origin, Bob Smith, já dizia que a empresa estava pronta para retomar os voos “nas próximas semanas”. Este será o décimo voo planejado do New Shepard, veículo totalmente reutilizável, cujo propulsor foi projetado para pousar na vertical após um lançamento bem-sucedido no espaço.
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O foguete
O veículo suborbital New Shepard é composto por um foguete-cápsula reutilizável, projetado para levar pessoas e experimentos científicos para o espaço. Aqueles que estiverem a bordo poderão ver a Terra em contraste com a escuridão do espaço, em um período que deve durar entre 10 e 12 minutos, desde a decolagem até o pouso.
Durante o período em que permanecem em órbita, os “passageiros” podem deixar os seus lugares e flutuar durante alguns instantes, para aproveitar a “gravidade zero”. Neste momento, eles estarão a mais de 100 quilômetros de altitude.
A última missão antes da pausa contou com um brasileiro: Victor Correa Hespanha, que foi um dos seis escolhidos para participar da próxima missão espacial NS-21, em junho de 2022. Nascido em Minas, o engenheiro foi escolhido após adquirir um NFT (token não fungível) pela Crypto Space Agency (CSA) e será apenas o segundo brasileiro a ir até a Estação Espacial Internacional (ISS) — o primeiro foi o ex-ministro Marcos Pontes, em 2006.
Por Agência O Globo


