Amplamente utilizado como reserva de valor, o ouro é um dos principais ativos de investimento há muito tempo, mas este posto pode ser usurpado pelo bitcoin em breve. É o que pensa Vitalik Buterin, criador da Ethereum, segundo maior blockchain do mundo.
Pensando em uma alternativa descentralizada ao dinheiro, o ouro seria “incrivelmente inconveniente” e “difícil de usar, principalmente ao negociar com partes não confiáveis”, segundo Buterin.
O russo-canadense é um conhecido defensor do bitcoin, a única criptomoeda que ainda é maior que o ether, sua criação. Desde 2014, Buterin se envolve em discussões sobre a possibilidade do bitcoin se tornar uma reserva de valor.
“O ouro é incrivelmente inconveniente. É difícil de usar, particularmente ao negociar com partes não confiáveis. Não tem suporte para opções de armazenamento seguras como contratos multiassinatura. Nesse ponto, o ouro tem menos adoção do que cripto, então cripto é a melhor aposta”, disse Buterin no Twitter.
A fala foi em resposta a uma publicação de Zach Weinersmith, que havia dito: “Então o único argumento que eu ouvi sobre cripto que faz sentido dentro da estrutura dos próprios entusiastas é que eles não querem uma autoridade centralizada como dinheiro. Apesar disso, nessa estrutura, por que não ir com o ouro?”.
A correlação entre o ouro e o bitcoin atingiu a maior proximidade do ano no último mês de setembro. De acordo com analistas do Bank of America, a recente atividade do mercado pode fazer com que os investidores voltem a enxergar no bitcoin um “porto seguro” contra possíveis recessões econômicas.
Segundo dados divulgados pela plataforma de análise de criptoativos Kaiko no último dia 3 de outubro, a correlação entre o ouro e o bitcoin atingiu sua máxima considerando os 12 meses anteriores ao mês de setembro de 2022.
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Por isso, Alkesh Shah e Andrew Moss, analistas do Bank of America Securities, afirmam em um relatório recente da instituição que o bitcoin poderá ser utilizado como uma proteção contra incertezas do mercado.
A discussão entre especialistas do mercado de criptomoedas sobre a possibilidade do bitcoin ultrapassar o ouro como uma reserva de valor para a era das finanças digitais tem ganhado cada vez mais força.
“O ouro virou uma reserva de valor em um mundo analógico. O mundo que vivemos hoje já é em grande parte digital. Ter uma reserva de valor também digital é um processo que vai acontecer de uma forma ou outra, e o bitcoin tem tudo para ocupar esse espaço. Uma reserva de valor digital, global e sem fronteiras”, disse André Portilho, head de Digital Assets do BTG Pactual, que atualmente lidera a Mynt, plataforma focada em criptoativos do grupo.


