Vídeos no TikTok mostram mensagens de rompimento que usuários suspeitam terem sido escritas por IA — um deles, com a legenda “Quando ele manda um texto de término totalmente feito pelo ChatGPT, travessões e tudo”, já passa de 240 mil visualizações
Já se foi tempo em que a frase “não é você, sou eu” era usada para evitar conversas sobre fins de relacionamento. Agora, a inteligência artificial está realizando esse “trabalho” para a geração Z, os jovens nascidos entre 1996 e 2012.
É o que mostra pesquisa realizada nos Estados Unidos pelo assistente de relacionamentos Wingmate. Segundo o levantamento, 41% dos jovens já usaram a IA para ajudar a encerrar um relacionamento, com as mulheres se mostrando um pouco mais propensas do que os homens a delegar essa tarefa aos robôs. As informações são do The New York Post.
O levantamento, que ouviu mais de 1.000 adultos norte-americanos que utilizam IA em aplicativos de namoro, mostra como essas ferramentas estão profundamente enraizadas na vida amorosa moderna. Quase metade das pessoas entre 18 e 29 anos relatou ter recorrido a soluções de IA para redigir mensagens de término, pedidos de desculpas ou até para lidar com conflitos no relacionamento.
Entre os usos mais comuns estão a otimização de perfis, sugestões de frases para iniciar conversas, respostas a mensagens e resolução de desentendimentos. Cerca de um terço buscou aconselhamento direto para relacionamentos, enquanto quase metade contou com a IA para escrever pedidos de desculpas ou mensagens mais delicadas emocionalmente.
Para muitos, o recurso facilita a vida: 29% disseram que namorar ficou “mais simples” com a IA e 21% afirmaram que passaram a conversar com mais pessoas. Mais da metade relatou ter conversas melhores ao utilizar ferramentas automatizadas.
No entanto, o fim de um relacionamento interpretado pela IA pode soar robótico. Vídeos no TikTok mostram mensagens de término que usuários suspeitam terem sido escritas por IA — um deles, com a legenda “Quando ele manda um texto de término totalmente feito pelo ChatGPT, travessões e tudo”, já passa de 240 mil visualizações.
Nem todos acham adequado usar inteligência artificial em assuntos do coração. Apesar de a maioria ter considerado a tecnologia útil ou neutra, alguns a classificaram como naõ-autêntica, e mais de 20% confessaram que usam IA, mas não contam para ninguém.
Para a socióloga Jess Carbino, ex-colaboradora do Tinder e do Bumble, terceirizar um rompimento para a IA pode ser prejudicial. “As pessoas podem assumir, de forma equivocada, que o que a IA gera nesse contexto é válido ou apropriado, quando questões do coração costumam ser delicadas e merecem personalização”, disse ao jornal norte-americano.
Apesar disso, o mercado de “romance automatizado” segue em alta. Serviços como o YourMove AI e o Rizz se posicionam como copilotos completos para encontros, ajudando em todas as fases, desde o envio de mensagens de paquera até maneiras de evitar conversas constrangedoras.
O YourMove, que já soma mais de 300 mil usuários, promete “colocar suas mensagens no piloto automático” por US$ 15 (R$ 82) ao mês, gerando textos, reescrevendo bios e aprimorando perfis. O Rizz, com planos a partir de US$ 10 (R$ 54,50) semanais, também promete respostas personalizadas para impressionar o crush — sem limites claros sobre o quanto o bot pode interferir nos sentimentos humanos.
Por Patrícia Basilio


