No marketing digital de hoje, parece que só é ouvido quem grita.
Não basta ensinar — tem que chocar.
Não basta orientar — tem que humilhar.
Não basta inspirar — tem que bater.
A promessa é sempre a mesma: domine, vença, esmague, destrua, esteja acima… É guerra. Sempre guerra.
A lógica parece simples: quanto mais agressivo, mais vende. Quanto mais violento, mais atrai o olhar. Quanto mais performático, mais like.
Mas, já se perguntou: como a gente espera uma sociedade empática se tudo que consumimos é força, grito e raiva?
Se os vídeos mais vistos são os que desrespeitam.
Se os discursos mais aplaudidos são os que humilham.
Se os mentores que mais crescem são os que gritam.
Qual é a mensagem que estamos mandando pro algoritmo? E pra nós mesmos?
Desde quando vulnerabilidade virou fraqueza?
Desde quando falar baixo é sinônimo de ser ignorado?
Desde quando a única forma de ser ouvido é gritar mais alto?
Não dá pra reclamar da falta de respeito no ambiente de trabalho se tudo que você consome é pancada.
Não dá pra exigir diálogo se você só dá palco pra quem grita.
Não dá pra esperar escuta se você só premia quem interrompe.
Estamos confundindo impacto com violência.
Confundindo autoridade com brutalidade.
Confundindo sucesso com performance.
A real é: estamos nos tornando a versão tóxica do que queremos combater.
E talvez já esteja na hora de pensar com mais calma:
– O que você consome está te educando ou te deformando?
– O conteúdo que você aplaude, você permitiria no seu ambiente de trabalho?
– O que você escuta, você reproduziria para um ente querido?
– Você está se tornando quem você admira… ou quem você mais criticava?
Dá pra ser forte sem ser cruel. Dá pra ser ouvido sem berrar. Dá pra liderar sem esmagar.
Mas isso não dá view, né?


