Uma das principais preocupações dos pais ao descobrirem uma gravidez é com a saúde do feto, por isso o tratamento pré-natal é de suma importância. Por meio dele é possível identificar eventuais riscos, oferecendo aos pais condições de enfrentar a situação precocemente, o que, na maioria das vezes, garante uma melhor qualidade de vida à criança. A médica cuiabana especialista em exames de ultrassonografia gestacional Gilda Pacheco conta detalhes sobre a realização e as atualizações do procedimento.
Segundo Gilda, a ultrassonografia para fins médicos iniciou no Brasil a partir dos anos 70 e desde então, a forma de fazer o exame e as imagens obtidas por meio dele vem se tornando cada vez mais inovadoras.
A médica afirma que um tratamento pré-natal ideal inclui os seguintes exames de ultrassonografia:
• Ultrassom inicial transvaginal – entre 6 e 10 semanas
• Ultrassom morfológico de 1º trimestre – entre 11 semanas e meia e 13 sem e 6 dias.
• Ultrassom morfológico de 2º trimestre com medida do colo uterino – entre 20 e 24 semanas.
• Ecocardiografia fetal com doppler colorido – ideal entre 22 – 28 semanas.
• Ultrassonografia obstétrica com doppler – a partir de 27 semanas.
“É muito importante destacar o quanto a ultrassonografia morfológica de 1º trimestre pode impactar positivamente no desfecho da gestação. Essa avaliação deve incluir obrigatoriamente o rastreamento da pré-eclâmpsia que é feito através da investigação de dados e antecedentes maternos (peso, altura, tabagismo), baseados em características demográficas (origem racial), história médica (antecedentes patológicos) e obstétrica, medida da pressão arterial, rastreamento bioquímico (quando possível) e doppler de artéria uterina”, explica a especialista.
Essa análise é corrigida por meio de um software específico, possibilitando que seja feito um cálculo para identificar o risco da mãe desenvolver a pré-eclâmpsia. Com base nesse cálculo, o obstetra poderá agir de forma preventiva, com medicações específicas e cuidados visando o bem-estar da mãe e do feto. Ainda nesse exame é feito o rastreamento de risco das trissomias mais comuns, como a do cromossomo 21, 18 e 13, afirma.
“Para recebermos a licença para operar esse software e realizar esses cálculos de risco, passamos anualmente por provas e procedimentos de auditoria da Fetal Medicine Foundation em nosso arquivo de dados e de imagens”, detalha a médica.
De acordo com Gilda, as avaliações através do ultrassom obstétrico com doppler são recomendadas pelo menos uma vez ao mês na gestação de alto risco após a 27ª semana e nas de baixo risco pelo menos uma durante toda a gestação. O ultrassom com doppler é um método muito similar ao ultrassom comum. Trata-se da emissão de ondas sonoras diretamente nos órgãos e tecidos internos do corpo e os ecos produzidos nesse encontro geram imagens em tempo real, que podem ser acompanhadas pelo profissional e paciente. Ao permitir a visualização dessas imagens em movimento, o efeito doppler é capaz de avaliar o fluxo sanguíneo em áreas e órgãos específicos do corpo. O método é indolor, prático e seguro.
Avanços tecnológicos na saúde gestacional
Gilda relata sobre as novidades tecnológicas trazidas para Cuiabá no ramo da medicina gestacional. Segundo ela, a chegada de novos equipamentos possibilitou uma melhora efetiva no padrão resolutivo das imagens obtidas nos procedimentos de ultrassonografia. Atualmente, o procedimento de ultrassonografia 4D e 5D tem sido uma opção fortemente divulgada nesse meio.
“Venho de uma época onde a imagem 3D da face fetal era obtida através da captura por transdutores grandes e pesados e que eram processadas em uma estação de computador ao lado do equipamento de ultrassom, demorando em média 3 a 4 minutos para serem convertidas em imagem 3D. Hoje isso tudo já é feito em tempo quase real. Com a maior a velocidade de processamento, passaram a chamar de 4D. O 5D é uma imagem processada muito mais rápida e que possui recursos de iluminação especiais que melhoram a resolução, profundidade e nitidez e variam entre os equipamentos”, explica Gilda.
A médica destaca o quão impressionante são as imagens obtidas por meio dessa tecnologia. Por meio dela é possível capturar expressões faciais como: sorrisos, bocejos, testas franzidas, abertura e fechamento dos olhos entre outras.


“São imagens muito reais, que possibilitam a criação de vínculos afetivos desde muito cedo pois permitem que os pais possam ver e se emocionar com os seus bebês ainda na vida intrauterina”, relata a especialista.
Os aparelhos utilizados nesses procedimentos auxiliam também nos cuidados com a saúde da mãe de uma forma não invasiva.
Ela explica que a inteligência artificial está presente em quase todos os softwares dessas novas tecnologias. É possível afirmar que os novos equipamentos de ultrassonografia são projetados para que haja uma perfeita interação entre o operador e a máquina.
“Isso representa o que há de mais avançado na área de ultrassonografia e que estão disponíveis em nossa cidade. Isso hoje é realidade. Novos tempos”, finaliza Gilda.
Por: Victória Oliveira