A (grande) maioria da população consegue transitar de forma prática pelo mundo. Porém, para alguns, como os deficientes visuais, físicos, auditivos etc, certas situações triviais são desafios diários.
Um dos exemplos é a comunicação pela linguagem de sinais (libras), que há muito tempo não vem acompanhando a velocidade tecnológica, ou as mudanças sociais (diversidade de gênero), econômicas (criptomoedas) e ambientais (mudanças climáticas). Essa última afeta diretamente o ensino escolar, uma vez que, para crianças ou mesmo acadêmicos com deficiência auditiva, falar sobre temas como “descarbonização” ou “aquecimento global” significava soletrar termos científicos extensos e complexos, letra por letra.
Agora esses conceitos estão entre os 200 termos da ciência ambiental que têm seus próprios novos sinais oficiais na Língua de Sinais Britânica (BSL).
(Foto: Pexels)
Cientistas com deficiência auditiva acreditam que ao atualizarem a linguagem de sinais, pessoas com deficiência auditiva poderão participar plenamente de discussões e ações em mudanças climáticas, não apenas em sala de aula, mas também dentro de laboratórios e certamente contribuirão para o desenvolvimento de pesquisas no mundo.
“Estamos tentando criar sinais perfeitos que mostrem conceitos científicos”, explica Audrey Cameron.
A relevância desse fato vem da própria professora Audrey Cameron, que é surda, e lidera o projeto de língua de sinais na Universidade de Edimburgo, na Escócia, que acaba de adicionar os novos termos ao dicionário BSL. A professora por mais de uma década esteve envolvida em pesquisas e participou de várias reuniões, porém nunca esteve a par totalmente das discussões. E isso porque não conseguia entender a fundo ou mesmo se expressar sobre química, por exemplo. Simplesmente não havia sinais para tal, diferentemente das pessoas ouvintes que “constantemente estão aprendendo e adquirindo conhecimento” onde quer que vão; as pessoas surdas perdem muita informação”.
Em um mundo cada vez mais transformador e com rapidez tecnológica, exemplo como esse deve ser incentivado nas escolas públicas e privadas. Pessoas com deficiências são um capital humano inteligente e sub aproveitados. Permitir que comunidades marginalizadas tenham sua participação ativa do diálogo científico, da construção do conhecimento e oportunidade de replicarem o que aprenderam em temas mais complexos, são pontos importantíssimos na construção infinita de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Fonte: Redação SPRIO